A crise que assola a prefeitura de Salvador (BA), cuja dívida líquida é de R$ 1,29 bilhão e já compromete 30% do orçamento para 2013, está colocando em risco não só as finanças, mas a tradição festeira da cidade. Por falta de verbas, a Saltur, estatal que organiza as festas populares do município, cogitou suspender a celebração de Réveillon, que acontece desde 1990 no Farol da Barra. Para solucionar o impasse, o músico Carlinhos Brown se ofereceu para tocar gratuitamente em seu trio Camarote Andante, mas até agora não há quem pague pelo restante da estrutura e pelo show de fogos, que em 2012 custou cerca de R$ 700 mil.


Tradicionalmente, a festa acontecia num grande palco montado no Farol da Barra, com atrações de destaque e estrutura para receber 1 milhão de pessoas. Porém, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PP), anunciou que, para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e deixar as contas em dia para o gestor eleito ACM Neto (DEM), não poderia pagar pela festa.

Através de articulações com o presidente da Saltur, Jonga Cunha, que tem longa carreira no mercado musical da cidade, Carlinhos Brown ofereceu o projeto do seu Réveillon Andante. Apesar de o prefeito ter anunciado que o músico tocaria de graça, Cunha declarou, em um encontro entre artistas e o prefeito eleito na terça-feira, que Brown estaria alinhando patrocínios fora de Salvador que serão anunciados em breve.

De acordo com o projeto inicial, o Réveillon Andante percorreria o Circuito Dodô, entre a Barra e Ondina, mas o presidente da Saltur afirma que isso ainda será ajustado, bem como outras atrações que teriam se proposto a participar. Jonga Cunha disse ainda que o governo do Estado se propôs a investir no projeto. "O túnel que parecia escuro já tem luz. Haverá réveillon em Salvador, com shows e fogos", garantiu. O Terra entrou em contato com a assessoria de imprensa do secretário de Turismo do Estado, Domingos Leonelli, nome do governo nas negociações, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem.