Os avós do futuro ouvirão menos que os avós de hoje. Esse é um problema que os ouvidos da geração atual enfrenta, pois são bombardeados diariamente com o excesso de barulho das grandes cidades e, principalmente, pelo mau uso dos aparelhos sonoros. Cerca de 10% da população brasileira sofre de problemas de audição, segundo a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). No Brasil, isso significa em torno de 18 milhões de pessoas.
Por isso, no Dia da Audição, celebrado em 10 de novembro, é importante que a população fique atenta aos riscos que o som alto dos mp3 players pode trazer à saúde. De acordo com os especialistas, o limite máximo permitido de exposição a sons, inclusive pela legislação brasileira, é de 85 decibéis. A partir daí, há risco de perda auditiva, que irá depender da intensidade do som (volume), tempo de exposição e sensibilidade de cada indivíduo. Assim, quanto maior a intensidade, maior a chance de se desenvolver surdez, mesmo que a exposição seja por um período menor.
“O uso de Ipods e similares apresenta um risco muito alto para a saúde auditiva, pois os fones estão inseridos no canal auditivo e levam o som diretamente à membrana timpânica, sem nenhum meio de proteção às delicadas estruturas que compõem a orelha interna”, explica o médico otorrinolaringologista Marcelo Hueb, presidente da ABORL-CCF.
A surdez relacionada à exposição a sons intensos é cumulativa, ou seja, uma vez cessada a exposição ao ruído, a perda de audição estaciona, porém não regride.
Deixar o volume do tocador de mp3 na metade do volume máximo do aparelho, ficar atento para que o som saído dos fones não seja ouvido pelos amigos ao redor, evitar permanecer muitas horas seguidas ouvindo mp3 e buscar ajuda médica a qualquer sinal de alteração da audição são dicas simples, que contribuem para a proteção do ouvido e manutenção dos ouvidos.
Evento discute doenças auditivas
A partir do dia 10, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) abre uma temporada de ações de conscientização sobre o tema. Além de alcançar a população por meio da mídia e tirar as dúvidas mais frequentes, na próxima semana começa o 42º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, em Recife (PE) – maior evento da área médica na América Latina – que vai reunir os maiores especialistas em otorrino do Brasil e do mundo para apresentar e discutir as novas técnicas, tratamentos e pesquisas sobre as doenças que afetam a audição, a respiração e a voz. O congresso acontece de 14 a 17 de novembro no Centro de Convenções de Pernambuco.