De um total de 3,9 milhões de proprietários rurais do Brasil, 39% são analfabetos ou sabem ler e escrever sem terem frequentado escola e 43% não completaram o ensino fundamental. Juntos eles somam 82% e equivalem a 3,1 milhões de pessoas ao todo.

O dado faz parte da pesquisa Atlas do Espaço Rural Brasileiro feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia) e divulgada nesta sexta-feira (19).

De acordo com o levantamento, as mulheres, que respondem por cerca de 13% dos estabelecimentos agropecuários, têm a maior taxa de analfabetismo (45,7%), contra 38,1% dos homens.

A pesquisa aponta ainda que Norte e Nordeste do País concentram as maiores taxas de analfabetismo, tanto para proprietários quanto para ocupantes.

Já o Centro-Sul tem os maiores percentuais de proprietários com nível médio de instrução (considerando-se ensino regular e profissionalizante). Para o IBGE, este dado reflete no aprimoramento técnico da agricultura na região de domínio do complexo agroindustrial da soja e de outras commodities de exportação.

Para a coordenadora de geografia e uma das pesquisadoras do Atlas do Espaço Rural Brasileiro Adma Figueiredo, os dados sobre analfabetismo apontam que "o espaço rural brasileiro ainda tem resíduo geracional".

— Isso porque os produtores rurais não tinham uma preocupação com a educação e se limitavam às habilidades no campo. O Brasil que se projeta para o futuro precisa avançar e aprimorar nesses pontos. O Estado precisa se organizar para resolver os problemas no campo. Nós temos dois ministérios para isso, o do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura.

O Atlas do Espaço Rural Brasileiro integra dados do Censo Agropecuário 2006 e das pesquisas populacionais, sociais, econômicas e ambientais do IBGE