Com o objetivo de conscientizar, divulgar os modos de prevenção e reduzir o número de casos de sífilis em Maceió, o Programa de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde deu início nesta quinta-feira (18) à semana de mobilização contra a doença. A campanha deste ano – que celebra o Dia Nacional de Combate à Sífilis no terceiro sábado deste mês – está direcionada aos adultos nas escolas e mercados públicos, contemplando palestras educativas, distribuição de material informativo e de preservativos masculinos e femininos, além da realização de exames.

A abertura da campanha foi feita na Escola João XXIII, localizada no Jacintinho, numa ação voltada para cerca de 50 alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), pais de alunos, professores, funcionários e comunidade, com a finalidade de ampliar o conhecimento de todos acerca da doença que, se não for tratada, pode causar complicações graves como cegueira, doenças cerebrais e problemas cardíacos, podendo levar à morte.

A dona de casa Maria Marlene dos Santos Silva participou da ação junto com com os colegas da turma de EJA. Para ela, que realizou a coleta de sangue para os testes de HIV, Hepatites B e C, Sífilis e HTLV no próprio local de estudo, a inicitiva foi importante, por facilitar o acesso a este tipo de serviço de saúde.

“Com a correria e as dificuldades do dia a dia a gente acaba se acomodando, deixando de procurar a unidade de saúde para se consultar ou realizar exames. Dessa forma, é prático e fácil se prevenir contra essas doenças”, disse ela.

Segundo a Coordenação do Programa no município, Maceió registrou, em 2011, 170 casos de sífilis congênita (transmitida da mãe para o bebê), 74 casos de gestantes infectadas e 129 casos de infecção em adultos. Este ano, os números já chegaram a 151 casos de sífilis congênita, 58 gestantes infectadas e 161 casos em adultos. No Brasil, as estimativas da Organização Mundial de Saúde de infecções de sífilis por transmissão sexual, na população sexualmente ativa, a cada ano, são de 937 mil casos.

“Temos buscado trabalhar a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis em parceria com as equipes das unidades de saúde nas salas de espera e consultas, especialmente as de pré-natal, alertando para a necessidade do uso do preservativo nas relações sexuais. Mas ainda enfrentamos a resistência dos casais à prática do sexo seguro no casamento, que reflete a questão cultural do machismo e é visto como sinônimo de infidelidade, dificultando a detecção e o tratamento da doença”, afirma a coordenadora Sandra Gomes, lembrando que, durante a gestação, a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e/ou morte ao nascer.

Seguindo a programação, o Programa Municipal de DST, Aids e Hepatites Virais, realizou, nesta sexta-feira (19), as mesmas ações no Mercado Público do Jacintinho. Amanhã (sábado, 20), será a vez do Mercado da Produção sediar as atividades, das 7h às 12h. Na segunda-feira, a equipe do Programa estará, das 18 às 22h, na Escola Lenilton Alves (Jacintinho), encerrando a campanha na terça-feira (23), na Escola Professor Ananias Andrade (Vergel do Lago), das 18h às 22h.

A doença – Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis pode ser transmitida por meio de relações sexuais sem preservativos, transfusão de sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação e o parto. Seu período de infecção é de 7 dias. A doença pode se manifestar de forma temporária, em três estágios. Os principais sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que é mais contagiosa. O terceiro estágio pode não apresentar sintoma e, por isso, dá a falsa impressão de cura. O uso da camisinha em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de prevenção.