Os servidores do Judiciário Federal e do MPU realizaram várias atividades de greve com o objetivo de fortalecer o movimento paredista. A mobilização, nesta quinta-feira (23), acontece em frente ao prédio das Varas do Trabalho, em Maceió, a partir das 9 horas. Na quarta-feira (22), as manifestações se concentraram no Fórum Eleitoral e na Procuradoria da República.

A proposta do governo Dilma de 15,8% em três parcelas a partir de janeiro de 2013 até 2015 não foi bem recebida pela categoria. “É uma proposta acanhada. Apenas dá início às negociações para quem não queria conceder nada. Isso demonstra a força da base”, disse a servidora do TRT Andrea Leão.

Para a servidora Cristina Maia, a proposta mostra que a Dilma está sentindo pressão. “Os servidores, que não deflagraram greve, devem acordar para o movimento grevista. Para quem estava irredutível, já é um bom começo”.

O coordenador Jurídico do Sindjus/AL, Paulo Falcão, destacou que a proposta não representa nada para a categoria. “Não recompõe nem a inflação dos próximos três anos. A presidente Dilma tem que cumprir a legislação e aceitar a dotação orçamentária para a revisão dos Planos de Cargos e Salários (PCS)”.

Desautorização

No ato público, no Fórum Eleitoral, o coordenador Jurídico do Sindjus/AL, Paulo Falcão, informou a vitória dos servidores com a decisão do Conselho Nacional de Justiça que desautorizou a Resolução nº 86 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho a respeito dos procedimentos a serem adotados pelos tribunais em casos de paralisação ou greve na Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus, prevendo o desconto dos salários. O CNJ acatou a argumentação da Fenajufe e dos sindicatos, a exemplo do Sindjus/AL, de que as regras da Resolução 86 afrontavam a autonomia administrativa dos tribunais.

Após a manifestação, os grevistas visitaram os servidores dos cartórios eleitorais que ainda estavam trabalhando para conscientizá-los sobre a importância da greve contra o congelamento de salário e pela aprovação do PCS.

Procuradoria da República

O Comando de Greve participou de uma reunião com os servidores da Procuradoria da República. O objetivo foi unificar a luta dos servidores do Judiciário Federal e do Ministério Público Federal.

O coordenador Jurídico, Paulo Falcão, destacou os riscos aos direitos dos servidores, como o PL 549/2009 que congela salários por dez anos e o PL 248/98 que demite por insuficiência de desempenho.

Na reunião, o comando de greve esclareceu que a unificação, já discutida junto ao Sinasempu e ao Sindjus/AL, em Brasília, visa à inclusão do aumento no orçamento sem a mudança do modelo remuneratório, já que os sindicatos divergem nessa questão. Enquanto o Sindjus/AL defende o PCS, o Sinasempu abraça o subsídio. Mas as posições não interfeririam a unidade das entidades.

Falcão explicou que a divisão apenas prejudica os servidores. “No setor privado, os trabalhadores têm data-base, já os servidores públicos não. Temos que fazer nossa parte”, disse.