O CadaMinuto publica hoje a última entrevista da Série com os candidatos à Prefeitura de Maceió. O deputado Rui Palmeira (PSDB) é o mais jovem dos que disputam o cargo de prefeito da capital alagoana. Rui afirma que seria um bom prefeito para Maceió por ter boas propostas e lembra seu mandato na Assembleia Legislativa.

“Se assim o povo quiser, estaremos de acordo e vamos lutar ainda mais pela vitória, que será a vitória de todos que querem uma cidade melhor para todos”, disse o candidato ao ser indagado se as eleições irão para o segundo turno.

CadaMinuto - Porque seria um bom prefeito para Maceió?
Rui Palmeira - Porque tenho propostas, porque quero e sei como inovar, e porque minha trajetória de trabalho por Alagoas e por Maceió me qualifica e me credencia a este desafio. Meu mandato na Assembleia Legislativa foi marcado por proposições em defesa dos alagoanos. Na Câmara dos Deputados meu trabalho foi reconhecido nacionalmente. Quero fazer de Maceió uma capital que avance, que reduza seus indicadores sociais negativos, que apresente soluções estruturantes, que invista de verdade em áreas vitais como saúde, geração de emprego e renda, esporte, cultura e educação, com iniciativas que nos ajudem a combater a desigualdade e a violência.

CM - Quem considera o seu principal adversário?
RP - Quero debate democrático e de alto nível, discutindo soluções concretas para o povo de Maceió. Meu maior adversário são os problemas que atormentam a vida do maceioense, como a miséria, a falta de educação integral, a precariedade da saúde, a reduzida oferta de saneamento básico, o trânsito caótico na Fernandes Lima, entre outras tantas mazelas. Respeito todos os candidatos, sem distinção, sem rancores. Quero diálogo em prol da sociedade.

CM - Como avalia suas reais chances de vencer as eleições?
RP - Tenho confiança na vitória. Não é de hoje que percorro Maceió, tanto que fui o deputado federal mais votado na capital. Nesta campanha, em cada caminhada, em cada reunião, em cada debate, sinto a receptividade do povo a nossas propostas. E vamos visitar cada bairro e cada comunidade expondo nossas ideias. Estamos trabalhando há muito tempo neste projeto que não é meramente um projeto político e que não é, com certeza, um projeto unicamente pessoal. As adesões ao nosso grupo só crescem, agregando setores diversos da sociedade maceioense. Temos um grupo coeso, que sempre acreditou e que acredita que podemos sim fazer Maceió se desenvolver com justiça social.

CM - Acredita que a disputa para as eleições irá para o segundo turno?
RP - Hoje os números oficiais de pesquisas indicam empates técnicos. Mas cada eleição tem uma história. Nosso foco neste momento é pensar, discutir, agregar pessoas em torno da ideia viável e possível de uma nova Maceió para todos. O cenário de oito candidaturas pode indicar, a princípio, a possibilidade de um segundo turno. Se assim o povo quiser, estaremos de acordo e vamos lutar ainda mais pela vitória, que será a vitória de todos que querem uma cidade melhor para todos. Mas ainda temos mais de dois meses de campanha pela frente. Por isso, qualquer indicativo de qual será o resultado das urnas no dia 7 de outubro, se feito hoje, será prematuro.

CM - Como avalia a gestão do atual prefeito de Maceió, Cícero Almeida?
RP - Foi uma gestão que avançou em alguns aspectos como a realização de obras viárias e pavimentação, mas que deixou o social e o desenvolvimento humano em segundo plano, lamentavelmente. E o maior bem de uma cidade são suas pessoas, sua gente, sua saúde, sua educação e seu bem estar, sua cultura, sua memória, enfim, o maior patrimônio de uma cidade são as vidas que, justamente, dão vida a esta cidade. Houve a execução de obras, mas parte delas sem a visão global de uma Maceió que cresceu desordenadamente. Faltou cuidar de gente, garantir dignidade humana, que é o principal cuidado que um governo tem que ter. Por isso, o social necessita de atenção. Por exemplo, no campo da segurança pública, o município pode e deve fazer a sua parte, não tendo o direito de se furtar. Faltou projetar a cidade para o hoje e para o futuro. O esforço de nossa gestão será conjugar esforços, fazer ainda mais pela infraestrutura, mas valorizar primordialmente o povo, em especial o mais carente. É isso que queremos.

CM - Se eleito, qual seu principal projeto para Maceió?
RP - Tenho vários, mas os principais são fortes investimentos em um modelo arrojado de escola em tempo integral com cultura e esporte para nossas crianças; um amplo programa de mobilidade com foco no transporte público coletivo, descongestionando corredores hoje saturados como a Fernandes Lima e beneficiando a todos em seus trajetos cotidianos ao trabalho, à escola ou ao lazer; foco na atenção especial aos bairros e comunidades da periferia de Maceió, que hoje estão abandonados, resgatando a dignidade e o valor de nossas comunidades; ampliação da atenção básica de saúde, com mais unidades de saúde, leitos e maternidade; modernização da gestão pública com valorização dos servidores do município, trabalhadores essenciais neste processo; e fazer do município um protagonista num combate à violência sem trégua, mas ao mesmo tempo humanizado, com foco no cidadão hoje desamparado.

CM - Como resolver o problema do transporte público em Maceió, uma das principais reclamações da população?
RP - A frota de automóveis cresceu na última década, isto é fato. Mas o que ocorre é que as obras viárias não foram pensadas de forma sistêmica e algumas delas já se transformaram em paliativas. Precisamos sim de novos corredores e de novas avenidas para ampliar e dar vazão ao fluxo de carros, mas principalmente necessitamos de um transporte público eficiente, com tarifa justa e com integração, revendo itinerários de linhas e com ônibus em melhores condições para a população, além de ampliar a malha de ciclovias. Neste contexto realizar uma licitação para o transporte com transparência e em prol da cidade será fundamental. E vamos interligar os ônibus com o sistema do Veiculo Leve Sobre Trilhos (VLT), projeto que nossa gestão irá abraçar de modo incondicional. O cidadão tem direito a transporte público de qualidade, integrado e com preço da passagem acessível.

CM - Como o novo prefeito de Maceió poderá ajudar o governo do estado a combater a criminalidade?
RP - Vamos ajudar com foco em políticas sociais, com saúde e educação, e com arte, cultura e esporte sendo introduzidos de forma integral nas comunidades carentes de Maceió, ofertando oportunidades e novos horizontes a nossas crianças e jovens. Vamos ajudar com um diversificado programa de desenvolvimento para micro, pequenos, médios e grandes empreendedores, gerando renda e mais empregos. Vamos ajudar com a atuação da guarda municipal, que será valorizada, equipada e redimensionada. Vamos unir a isso elementos como tecnologia, sensibilidade e vontade de fazer. Crime não se combate somente com polícia na rua. Policiamento é vital, mas o mais importante é combater as causas da violência. É preciso acabar com a vergonha de termos meninos e meninas mendigando nos sinais, ou servindo ao tráfico, ou se prostituindo e se drogando. E mais: seus pais precisam de empregos. Todos precisam de saúde e educação de base. Todos merecem dignidade e dignidade é um direito de todos.

CM - No campo da educação, o senhor tem algum projeto, como por exemplo, as escolas em tempo integral?
RP - Sim, neste campo temos um projeto arrojado e plenamente viável, que já está totalmente estruturado e que vamos colocar em prática. Um projeto que será executado, que é maior que a concepção de escolas em tempo integral. Queremos atenção total e presença marcante da prefeitura nas áreas de maior vulnerabilidade social e vamos agregar a esta ação, que terá como centro um novo modelo de escola, um conjunto de atividades voltadas a nossas crianças e adolescentes. Esta nesta nova concepção de escola haverá lugar para a família e para a comunidade. Teremos educação integral, humanizadora e cidadã. Esta será uma das marcas de nossa gestão. Aliás, poder realizar este projeto é um dos fatores que mais me motiva a ser prefeito de Maceió.

CM - Já que as drogas são apontadas como o motivo principal dos índices de violência, a prefeitura pensa em investir em CAPS (Centros de Apoio Psico-Social) voltado para dependentes químicos?
RP - Sim, mas não somente os Centros de Atenção Psicossocial serão ampliados, como também os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas. Mas nosso modelo de apoio aos dependentes químicos não se voltará somente a eles, porque a droga desestrutura os dependentes, suas famílias e as pessoas que os amam. Por isso, além de tratar quem é afetado pelo vício, precisamos amparar os familiares, que muitas vezes não sabem como resolver o problema e ficam à margem das políticas públicas de saúde e assistência social. E o mais importante é que vamos evitar que nossos jovens e nossas crianças sejam seduzidas pela droga, atuando fortemente nas escolas, com educação e mobilização popular. No campo das drogas, o maior tratamento é a prevenção. E vamos prevenir ofertando opções de cidadania para quem hoje, infelizmente, tem este direito negligenciado.