Por volta de 15 horas e 30 minutos, desta sexta-feira (27), moradores de Pão de Açúcar saíram às ruas da cidade conduzindo faixas e cartazes para pedirem punidade para o crime ocorrido sábado passado (21).” Queremos justiça”, diziam eles. Nem mesmo a chuva conseguiu conter a revolta da população que participou da caminhada em protesto. O crime ocorreu por volta de 19 horas, na Rua Duque de Caxias. O cabo PM Valtião dos Anjos, do quadro da Polícia Militar do Estado de Alagoas, assassinou a tiros e a golpes de faca peixeira o deficiente mental Fernando, conhecido popularmente como “Tuta”.

Segundo alguns vizinhos que presenciaram o crime, Tuta foi baleado e correu na tentativa de entrar em casa para livrar-se da fúria do militar, inclusive, gritando e pedindo pedindo socorro aos vizinhos. Ao cair agonizando sobre a calçada da própria residência, foi surpreendido pelo autor dos disparos que perseguiu a vítima, sentou sobre o corpo estendido ao chão e aplicou mais de doze golpes de faca peixeira. Segundo, ainda, informações, os golpes atingiram o pescoço e o tórax da vítima, vindo esta a ser socorrida por uma equipe do SAMU, porém não resistiu aos ferimentos provocados pelo cabo da polícia, entrando em óbito minutos depois.

O homicídio foi amplamente noticiado pela imprensa, principalmente por ter provocado grande comoção social. A vítima tinha uma deficiência mental provocada pela dependência alcoólica e costumava andar pelas ruas fazendo cenas de humor e gritando: “Tuta é Tuta, Conrado é Conrado e Jaciobá é Jaciobá”, dizia a vítima, homenageando ele próprio, o cão inseparável e uma emissora FM da cidade de Pão de Açúcar.

O corpo da vítima foi sepultado na tarde de domingo (22), no Cemitério São Francisco de Assis, na cidade de Pão de Açúcar. Uma multidão revoltada com ato de violência praticado pelo policial militar compareceu ao enterro. Na segunda-feira passada (23) o autor do crime se apresentou ao Comando do 7º BPM de Santana do Ipanema, onde está lotado. O delegado de Polícia Civil de Pão de Açúcar, bacharel Sandro Marcelo, está apurando o crime e já ouviu algumas testemunhas.

Segundo informações de parentes do militar, no momento do assassinato o policial havia ingerido uma grande quantidade de bebida alcoólica e após ter passado o efeito etílico, ele não conseguia lembrar da cena do crime. Disse, ainda, um parente do acusado que “Tuta”, quando estava embriagado, costumava sair esculhambando o cabo militar pelas ruas e fazia provocações todas as vezes que o encontrava na rua.

Outra reclamação de um parente do acusado é sobre o fato de as pessoas estarem transferindo a culpabilidade do homicídio para a família do militar. "Os pais e os irmãos do acusado são cidadãos de bem e não podem ser discriminados por um crime que não cometeram. É preciso que as pessoas respeitem os irmãos do acusado, pois dois deles trabalham na Justiça e jamais vão apoiar atos de violência de quem quer que seja. A nossa família está sofrendo muito com este episódio”, desabafou um parente próximo do autor do homicídio.

Já familiares e vizinhos da vítima desmentem a versão contra "Tuta" e disseram que a vítima era incapaz de ofender alguém. “Quando Tuta bebia só fazia mal a ele próprio”, declarou uma prima da vítima. “Queremos que o assassino pague pelo crime que cometeu”, finalizou a prima da vítima, pedindo para não ser identificada, pois está com medo de represálias.