José Manuel Durão Barroso afirmou neste domingo que os 27 países-membros da União Europeia (UE) continuarão apoiando os palestinos, em sua primeira visita à região desde que foi eleito presidente da Comissão Europeia - órgão executivo do bloco - em 2004.
"Minha mensagem aos palestinos é que somos dois nesta viagem e seguiremos sendo", declarou o presidente da Comissão em entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, realizada neste domingo em Ramala (Cisjordânia).
"Apesar das dificuldades na Europa, mantivemos todos os níveis da ajuda (aos palestinos)", assinalou Durão Barroso, que lembrou que, desde 2008, quando começou a crise financeira internacional, a UE contribuiu com US$ 4,2 bilhões à Palestina.
Trata-se de uma ajuda que se aproxima da metade de todas as doações internacionais recebidas pelos palestinos, tornando o bloco europeu o seu maior doador. Parte desse auxílio foi concedido à academia de polícia que Durão Barroso e Fayyad inauguraram hoje na cidade de Jericó, no vale do rio Jordão.
A construção do complexo, cuja quantia chega a 15 milhões de euros (US$ 18,4 milhões), foi possível graças à contribuição institucional da UE e da individual de países como Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Finlândia, Suécia, Reino Unido e Canadá.
"O apoio da UE vai além da construção da infraestrutura da academia. Trata-se do que os estudantes aprenderão e a qualidade das pessoas que compõem a Polícia Civil", manifestou o líder europeu, segundo um comunicado da UE datado em Jerusalém. Também assinaram um acordo no valor de 20 milhões de euros (US$ 24,4 milhões) que a UE destinará à ANP para apoiar a promoção do cumprimento da lei e a democracia nos territórios palestinos ocupados.
O primeiro-ministro da ANP agradeceu os esforços da UE e seus Estados-membros para continuar apoiando os palestinos, assim como para impulsionar a construção de instituições em prol do estabelecimento de um Estado independente.
Crise da ANP
A ANP atravessa uma crise financeira que ameaça abalar seus alicerces institucionais e se deve, em grande medida, ao descumprimento dos pagamentos feitos pelos países doadores, em particular os árabes. No plano político, o presidente da Comissão Europeia destacou que a resolução do conflito entre israelenses e palestinos é uma prioridade para a UE. Ele reiterou a posição de Bruxelas de que ambas as partes devem adotar medidas encaminhadas a reconstruir a confiança, e não destruí-la.
Durão Barroso também criticou as colônias judaicas instaladas em territórios palestinos ocupados por Israel e disse que expressará a rejeição da UE ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e ao presidente do país, Shimon Peres. "Nossa posição sobre os assentamentos é a mesma, e assim o transmitirei a Netanyahu e a Peres. A lei deve ser respeitada", ressaltou.