Potências mundiais iniciaram nesta segunda-feira dois dias de discussões para tentar superar o impasse da última década a respeito do programa nuclear iraniano, e evitar a ameaça de uma nova guerra no Oriente Médio.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que Teerã estaria disposto a interromper o enriquecimento de urânio até um grau mais elevado de pureza --processo que pode ser usado para a produção de armas atômicas-- caso as seis potências aceitem suprir a necessidade de combustível nuclear da República Islâmica. Mas não ficou clara quanta influência Ahmadinejad poderá ter nas negociações, ou se sua declaração reflete a posição de Teerã no diálogo.

Especialistas e diplomatas acham improvável que alguma solução saia das reuniões de Moscou, onde as potências mundiais estão receosas em fazer concessões que permitam ao Irã prolongar o processo e ganhar mais tempo para desenvolver seu programa atômico.

Governos ocidentais temem que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas, o que Teerã nega, insistindo no caráter pacífico das suas atividades nucleares. Israel, que vê o Irã como uma ameaça à sua existência, ameaça bombardear instalações atômicas iranianas, o que poderia ter graves consequências para o mercado mundial de petróleo e para a economia global.

Após o início da reunião em Moscou, um porta-voz da União Europeia disse que "a atmosfera estava agradável, profissional e boa. Esperamos que isso se traduza em um sério compromisso político dos iranianos para tratar das nossas propostas".

Mas uma fonte ocidental disse, pedindo anonimato, que os seis países envolvidos na negociação --EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha-- estão dispostos a aprofundarem o isolamento diplomático e econômico do Irã se não houver acordo.

"Se o Irã continuar indisposto a aproveitar as oportunidades que esse diálogo oferece, irá enfrentar pressão e isolamento continuados e intensificados", disse a fonte.

As reuniões de Moscou ocorrem após duas rodadas anteriores desde a retomada do diálogo diplomático, em abril, após um hiato de 15 meses.

Os EUA querem limitar o enriquecimento de urânio a 20 por cento de pureza, nível que alguns especialistas veem como um perigoso passo rumo à capacidade de enriquecer o material até mais de 90 por cento, que é o nível necessário para o uso em armas nucleares.

Ahmadinejad disse que "desde o começo a República Islâmica declara que, se os países europeus fornecessem combustível enriquecido a 20 por cento para o Irã, não enriqueceríamos até esse nível".