Num país em que as deficiências educacionais são tantas e tão graves, existe uma situação ainda mais problemática que é do conhecimento de poucos: nada menos que 6% da população brasileira revelam algum tipo de dificuldade de aprendizado - dislexia, déficit de atenção, discalculia etc..
Ou seja, cerca de 11,5 milhões de pessoas não conseguiram ou não conseguem acompanhar as aulas regulares nas escolas, arcando com todos os prejuízos pessoais e profissionais que decorrem da má formação.
Pior: os sistemas públicos de educação e saúde no Brasil não reconhecem os transtornos de aprendizado e portanto não os incluem em suas políticas públicas, deixando à própria sorte um exército de pessoas marginalizadas pelo sistema educacional público e com enormes dificuldades para enfrentar a vida profissional que exige maior capacitação.
Na contramão desta realidade adversa, e alinhado com as mais modernas tendências internacionais de pedagogia e de inclusão, o Instituto ABCD, com sede em São Paulo, atua desde 2009 no apoio técnico e financeiro aos que se disponham a combater o problema.
Organização social de interesse público, o iABCD desenvolve parcerias com grupos e instituições que atuam na prestação de serviços a familiares e pessoas com transtorno de aprendizado, bem como realiza convênios para a capacitação de educadores e profissionais da saúde que cuidam dessa situação no dia-a-dia - professores, coordenadores educacionais, assistentes sociais, fonoaudiólogos, psicólogos entre outros.
O instituto - que surgiu inicialmente focado na dislexia, ou seja, no problema que impede que uma pessoa leia e escreva fluentemente - é hoje um grande catalisador de informações, materiais didáticos, investimentos e ações que promovem mais qualidade de vida para quem tem algum transtorno de aprendizagem.
Com o treinamento e prática de especialistas alinhados às discussões que acontecem no mundo todo, a instituição promove um padrão de excelência no atendimento de quem vive e convive com essas questões. A partir, principalmente, de dois programas:
1) Programa Centros de Referência
O iABCD possui atualmente convênio com Centros de Referência (CRs) de cinco instituições: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); UNESP de Botucatu e Marília; Santa Casa de São Paulo; Instituto CEFAC de São Paulo; Faculdade de Medicina do ABC.
Com o apoio técnico e financeiro do iABCD, os CRs têm o objetivo de diagnosticar e atender crianças e jovens com transtornos de aprendizagem, além de orientar os seus familiares no enfrentamento dos problemas decorrentes dessa condição. Os CRs também contribuem com a formação de professores da rede pública para que eles saibam lidar com crianças com distúrbios de aprendizagem em sala de aula.
Em 2011, cerca de 2 mil professores receberam treinamento e mais de 2,3 mil crianças foram atendidas. No total, mais de 16 mil consultas foram realizadas pelas equipes multidisciplinares que envolvem psicopedagogos, fonoaudiólogos e neurologistas.