O prefeito do Recife, João da Costa, do PT, e o senador Humberto costa, também do PT, estiveram juntos pela última vez, na reunião da executiva do PT, na terça-feira, em São Paulo. No dia seguinte, Humberto Costa falava, ao lado de Rui Falcão, como candidato e anunciava o interesse em ter o prefeito ao seu lado na campanha. Na última quinta-feira, Humberto desembarcou no Recife e voltou a falar em buscar o apoio de João da Costa e, também, do governador Eduardo Campos, maior líder da aliança de partidos Frente Liberal.

Humberto disse, nesta sexta-feira, que o feriado de Corpus Christi tem dificultado suas articulações e que ainda não conseguiu falar nem com João da Costa nem com o governador. Com relação às declarações de João da Costa, que afirmou estar disposto a se reeleger, disse que a decisão da executiva do partido foi respalda pelo estatuto do PT, pelo regimento interno e pela legislação eleitoral. ¿Não tenho nenhum receio e não vejo nenhuma brecha¿, analisou.

João da Costa manteve sua intenção de se manter como candidato do partido para um próximo mandato, dias depois de ouvir, da executiva nacional do PT, em São Paulo, que ele não poderia concorrer. "Eu vou recorrer ao diretório do partido, que é uma instância superior, com mais membros", disse, João da Costa, em uma entrevista para a Rádio Jornal, nas primeiras horas da manhã.

O prefeito continua com o mesmo discurso que usou antes de ouvir do presidente do PT, Rui Falcão, que não seria candidato do partido a prefeito do Recife. Ele enumerou as etapas a que se submeteu como candidato, as articulações internas, lembrou que ganhou a prévia eleitoral anulada e dos apoios declarados. Também disse que não foi procurado pelo senador Humberto Costa, indicado pela executiva do PT para ser o candidato. ¿Agora não é a hora de conversarmos. As feridas estão abertas e o resultado pode não ser o melhor para o partido¿.

Depois da entrevista para a rádio, João da Costa iniciou uma agenda de prefeito, com vistorias em obras, e não voltou mais à pauta política, embora questionado pela imprensa. A única exceção foi aberta para aproveitar as manifestações populares, de apoio. ¿Esse é um gesto, que confirma que estamos fazendo as coisas certas¿, disse.

A agenda do pré-candidato tem compromisso para o domingo, quando Eduardo Campos deverá retornar ao Recife. O governador está em São Paulo. Esse é o encontro número zero, para a Frente Popular do Recife, devida à posição que Eduardo Campos ocupa de líder político no processo.

Antes do encontro e de uma declaração de Eduardo Campos, seguem as especulações, muitas delas iniciadas a partir do afastamento, publicado no Diário Oficial do Estado, dos quatro principais secretários do governo: Tadeu Alencar, da Casa Civil; Danilo Cabral, das Cidades; Sileno Guedes, da Articulação Política; e Geraldo Júlio, do Desenvolvimento Econômico.