A divulgação nesta semana dos nomes e salários dos cerca de 700 servidores concursados da Câmara Municipal de São Paulo revela que mais da metade deles recebeu em maio salário superior aos R$ 7.268,56 que o presidente da Casa, José Police Neto (PSD) viu no contracheque. O maior salário da lista é o da supervisora da equipe de controle de pessoal fixo e publicação, que ganha R$ 20.194,44, quase três vezes mais do que Police Neto. Segundo o site da Câmara, a servidora tem estudos nível médio completos e cursou "algumas matérias na área de Contabilidade na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Ela ingressou na Câmara Municipal de São Paulo em 1981, foi auxiliar legislativa, assistente de administração, oficial legislativa e é supervisora desde 2007.

Além dela, apenas um outro servidor tem salário superior a R$ 19 mil. Logo abaixo do topo, há 16 funcionários com salários entre R$ 18 mil e R$ 19 mil. O grupo dos que ganham entre R$ 16 mil e R$ 17 mil tem 74 nomes. Outros 66 recebem entre R$ 9 mil e R$ 10 mil e 46 ganham entre R$ 10 mil e 11 mil. Há 32 nomes na faixa entre R$ 15 mil e R$ 16 mil. A faixa dos que ganham menos de R$ 5 mil tem 260 nomes.

O salário da supervisora da equipe de controle de pessoal fixo e publicação também é maior do que o procurador-chefe da Câmara de São Paulo, Mário Sérgio Maschietto, formado pela Faculdade de Direito da USP e procurador legislativo concursado desde 1996. Especialista em Direitos Coletivos e Difusos pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo e ex-procurador em Campinas, ele recebeu em maio R$ 16.363,68. Um técnico administrativo com 28 anos de casa recebe R$ 16.318,43.

O presidente do Sindicato dos Servidores da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Fernandes Júnior, disse nesta terça-feira (5) que vai analisar que medidas tomar diante da divulgação dos nomes e salários dos servidores concursados no site do legislativo paulistano.

"Pedimos que antes de publicar encontrássemos uma forma de preservar a intimidade dos funcionários, mas não fomos ouvidos", afirmou. O sindicalista está preocupado com a exposição de informações pessoais dos servidores. "Imagine que um servidor terá sua integridade física ameaçada ou atingida. De quem será a responsabilidade?", questionou. Fernandes Júnior afirmou que não é contra a transparência. "O foco tem de estar na corrupção. O servidor é um ser humano como todos os outros", afirmou.

O Supremo Tribunal Federal (STF) negou liminar que tentava garantir a validade jurídica de uma resolução que concedeu aos 55 vereadores paulistanos reajuste no salário dos atuais R$ 9 mil mensais para R$ 15.031,76 a partir de 2013 e pagamento de 13º salário. A mesma resolução também previa a atualização monetária, em março de 2011, de 22,67% sobre os salários que os vereadores ganhavam em 2007, o que fixava os contracheques em cerca de R$ 11 mil mensais em 2011 e em 2012.