Sem tradução simultânea, a entrevista desta sexta-feira da SP Indy 300, contando com o escocês Dario Franchitti, o australiano Will Power e o brasileiro Helio Castroneves, exigiu grande capacidade de improvisação do mestre de cerimônias Celso Miranda. Enquanto evitava fazer uma tradução ao pé da letra do inglês para o português, o apresentador do evento amenizou um palavrão e uma expressão mais polêmica usada por Franchitti e contou também com a ajuda de Castroneves.
Logo no início da entrevista, Miranda informou aos repórteres presentes no auditório do Parque do Anhembi, em São Paulo, que não haveria tradução simultânea. Na quinta-feira, embora só pilotos brasileiros tenham participado da coletiva de imprensa - Castroneves, Tony Kanaan, Rubens Barrichello e Bia Figueiredo -, os jornalistas estrangeiros tinham à disposição microfones nos quais podiam ouvir as respostas traduzidas do português para o inglês.
Sem os intérpretes, a solução foi improvisar, e Celso Miranda fazia um resumo de cada resposta de Power e Franchitti depois de eles concluírem o raciocínio. Além disso, o mediador ainda traduzia as perguntas dos repórteres que preferiam falar em português e não em inglês, o que chegou até a surpreender o piloto escocês. "Você tem boa memória", disse, sorrindo, ao apresentador, que prontamente respondeu, aos risos: "eu invento um pouco, você tem que ser criativo com a tradução".
A entrevista começou no horário marcado, às 12h (de Brasília), sem a presença de Castroneves, que chegou com cerca de 30 minutos de atraso. O representante da Penske explicou não ter se perdido como aconteceu com Barrichello no dia anterior, culpando o trânsito: "tem motorista que sabia aonde estava indo, mas eu estava na (Avenida das) Nações Unidas e demorou mais que 45 minutos ou mais por causa da chuva, mas deu tudo certinho, estamos aqui". A distância da avenida até a região do circuito de rua do Anhembi, onde ocorre a prova do próximo domingo, é de aproximadamente 20 km.
Logo após a chegada do piloto, foi feita uma pergunta a Power sobre o impacto da entrada de Barrichello na Indy após 19 temporadas na F1. Miranda convidou Helinho a fazer a tradução, mas o piloto esqueceu a última parte da questão - se o australiano aprendia alguma coisa observando os passos de Rubinho.
O apresentador interveio, completou e teve uma participação mais ativa na última pergunta da entrevista, direcionada a Franchitti: "o que a Indy precisa fazer para superar a Nascar em audiência nos Estados Unidos?".
O experiente escocês, que é mais desenvolto que Power empunhando o microfone, fez duas críticas à cisão da Indy em dois campeonatos - IRL e Champ Car -, o que aconteceu em 1995. "Isso f... tudo", afirmou, em resposta traduzida como "acabou com tudo". Franchitti ainda chamou aquela época da categoria como um "grande cassino", expressão ignorada por Miranda.
Ao Terra, o apresentador explicaria que essa era uma opinião "com um pouco de veneno". Já a assessoria de imprensa do evento informou que não havia tradução simultânea porque a entrevista com os líderes do campeonato - Power e Castroneves - e o atual campeão - Franchitti - não estava prevista e não costuma ocorrer nas outras etapas do ano.
Ela ainda elogiou o trabalho de Miranda, que concluiu a entrevista com uma brincadeira na hora de convidar os pilotos para posarem para uma foto oficial. "Desta vez sem o troféu, porque o Franchitti não gosta", disse, lembrando que o escocês não quis tirar fotos com o objeto na entrevista prévia à corrida de 2011 por considerar que isso desse "azar". "O Will tem dois desses (venceu em SP nos dois últimos anos) e o Helinho ainda quer o seu", completou o mediador.