Uma autoproclamada prostituta colombiana que se tornou pivô de um escândalo envolvendo agentes do serviço secreto americano disse ao jornal New York Times que teme represálias das autoridades dos EUA. A briga da mulher, identificada como Dania, com um oficial americano em um hotel foi o estopim de uma crise que culminou com o afastamento de 11 agentes secretos que se envolveram com mulheres de programa durante a visita do presidente Barack Obama à cidade de Cartagena, onde participou da Cúpula das Américas no final de semana passado.

A jovem de 24 anos, mãe solteira de um menino de nove anos, disse ao NYT que brigou com um agente secreto após ele se recusar a pagar os US$ 800 acordados pela noite que passaram juntos em um hotel. "Eu disse a ele, 'Baby, my cash, money' (Baby, minha grana, meu dinheiro)", relatou Dania ao NYT Segundo ela, o homem queria pagar apenas US$ 30, mas acabou pagando cerca de US$ 225 após a chegada polícia ao hotel.

"Eles nunca me disseram que estavam com Obama", contou a mulher, que ainda disse que os homens eram muito discretos e que beberam muito naquela noite. Em uma entrevista anterior à imprensa colombiana, Dania disse que teme retaliações. "Eu estou assustada. Isso é algo realmente grande, é o governo dos Estados Unidos", disse. "Eu tenho ataques de nervos. Eu choro o tempo todo".

A identidade da jovem de 24 anos foi revelada pela mídia americana na noite de quinta-feira junto a de dois supervisores do Serviço Secreto dos EUA, David Chaney e Greg Stokes. Chaney foi forçado a se aposentar pelo seu envolvimento, enquanto Stokes foi removido por justa causa. Outro agente também se demitiu após ser suspenso pelo envolvimento no incidente. No total, 11 agentes secretos - os outros oito estão suspensos temporariamente - teriam se envolvido com prostitutas na casa noturna PleyClub antes da chegada da comitiva de Obama à Cartagena na sexta-feira. O incidente teria envolvido cerca de 20 mulheres e outros dez militares americanos.