O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) evitou polemizar declaração da senadora Marta Suplicy (PT-SP), mas afirmou nesta quarta-feira (4) que todo o PT terá que "usar muito a sola de sapato" para ajudar na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo.

Pressionada pelo partido a entrar na campanha de Haddad, especialmente na periferia, onde sempre teve boa votação, a senadora disse, ao jornal "O Estado de S. Paulo" na semana passada, que o candidato deveria "gastar sola de sapato".

Marta foi preterida na disputa interna para ser o nome do PT para a prefeitura após interferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Haddad, seu ex-ministro da Educação.

"Todos nós temos que usar muito a sola de sapato", disse o ministro.

Segundo Carvalho, ainda não há uma data certa para que Lula reforce a candidatura de Haddad.

Depois de cinco meses de tratamento contra o câncer, exames realizados na semana passada mostraram que o tumor na laringe do ex-presidente desapareceu.

Para comemorar sua recuperação, Lula sugeriu uma confraternização no dia 25 de abril, quando estará em Brasília para o lançamento do filme sobre a posse da presidente Dilma Rousseff.

"Olha, não dá para se falar a data, ele já tem ajudado muito, nos telefonemas e tal, já tem conversado. Mas ele prometeu ter muito cuidado e juízo, porque percebeu o quanto a saúde é importante. Isso é a fala dele", disse.

Ex-chefe de gabinete de Lula, o ministro afirmou que Lula está em "processo crescente de recuperação". "Ele está numa lenta recuperação, que requer prudência. Ele está fazendo muita fonoaudiologia, fisioterapia, enfim, várias questões que ele está se tratando. Sempre muito ativo, mas ele está num processo crescente de recuperação."

Carvalho disse que não sabe se o ex-ministro e réu do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) terá participação na campanha de Haddad. "Não tenho essa informação."

A Folha mostrou hoje que Dirceu foi um dos articuladores na montagem do comando de campanha de Haddad. Ele atuou como avalista na escolha do vereador Antonio Donato para coordenador do comitê.

Sua tarefa foi, segundo cinco petistas, aplacar o incômodo causado pelo anúncio da escolha de Donato na "Construindo um Novo Brasil", corrente petista majoritária da qual Dirceu faz parte.