A secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro deu mais um passo no processo de ocupação da Rocinha, maior favela do País, para a futura instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Nesta sexta-feira, 130 policiais militares recém-formados, sendo 46 mulheres, passaram a integrar o efetivo da comunidade, há quatro meses ocupada pelas forças de segurança.
Dentre a própria Polícia Militar e o Batalhão de Choque, junto do Batalhão Florestal, Regimento de Polícia Montada (para avançar a cavalo pontos de difícil acesso), além de oficiais do 23º BPM do Leblon (policiamento de entorno), são agora mais de 300 homens na Rocinha.
"Estes 130 novos policiais vão realizar o trabalho deles a pé pela comunidade. Queremos ampliar o trabalho de aproximação com os moradores e minimizar, com isso, os boatos que tentam enfraquecer a nossa presença", explicou o coronel Frederico Caldas, coordenador de comunicação social da PM, na cerimônia de chegada dos novos policiais.
Nos últimos dois meses, diversas situações de confronto com o tráfico no local colocaram em xeque o processo de pacificação. De acordo com a PM, em dois meses, foram 30 suspeitos presos, um a cada dois dias. Somente nesta semana, segundo dados da corporação, foram oito pessoas presas, além de sete pistolas, três revólveres e três granadas apreendidos.
"Essas últimas atividades evidenciam uma tentativa de manter o comércio (de drogas), mas não há presença ostensiva de traficantes, nem pessoas armadas circulando pela comunidade. Por 40 anos o tráfico esteve aqui e esse processo de reconquista está em curso, em quatro meses muita coisa mudou", salientou o coronel Caldas. "Sabemos , no entanto, que essas atividades criminosas enfraquecem o nosso trabalho, daí nossa reação", completou.
Os 130 novos policiais que trabalham já a partir desta sexta-feira na comunidade fizeram o curso de formação por seis meses e estão agora no processo chamado de estágio prático-operacional. Passada essa fase, todos serão alocados em alguma UPP, não necessariamente na futura instalação da própria Rocinha.
"Não há um número ideal de policiais para atuarem aqui, estamos analisando a situação passo a passo. E agora tomamos a decisão de aumentar o efetivo para os policiais atuarem a pé, principalmente em pontos que identificamos como necessários para a nossa presença", reforçou o coronel Caldas.
"Nosso setor de inteligência diz que as lideranças estão presas ou fora daqui, mas membros de terceiro ou quarto escalão, alguns nem com passagem pela polícia, ainda estão presentes, daí a necessidade de readequação", complementou o coordenador de comunicação da PM, afirmando ainda não ter informações sobre um possível sucessor do traficante Nem, ex-chefe do tráfico da Rocinha, preso dias antes da ocupação. "Não há informações precisas quanto a isso", resumiu.