A reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, destruída por um incêndio no último dia 25, deve custar cerca de R$ 100 milhões e começar apenas no começo de 2014, afirmou o ministro Celso Amorim (Defesa).
A estimativa foi apresentada nesta terça-feira (6) numa audiência pública no Senado para discutir o futuro do Proantar (Programa Antártico Brasileiro). Embora tenha dito que seria "leviano" falar em valores específicos, Amorim citou a cifra com base no custo de estações polares construídas recentemente por outros países.
Segundo o ministro, "se tudo correr muito bem, a construção da nova base só poderá começar no verão de 2013-2014", se houver continuidade de recursos. O prazo se deve às condições meteorológicas da região, onde só é possível operar com navios entre novembro e abril. No dia do incêndio, Amorim havia estimado em nove meses o prazo de reconstrução.
O secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, almirante Marcos José Ferreira, afirmou que a primeira fase da reconstrução começará neste ano e demandará R$ 40 milhões em recursos extraordinários. Estes incluem a limpeza do sítio da estação destruída --que se converteu em ameaça de contaminação ambiental do frágil ecossistema antártico--, o uso do Navio Polar Almirante Maximiano como estação de pesquisas (ele precisa receber laboratórios adicionais), acampamentos e o uso dos módulos de Química e Meteorologia de Ferraz, que ficam afastados do complexo principal e, portanto, não foram atingidos pelo fogo.
A primeira fase também incluirá o envio de painéis solares para manter funcionando os equipamentos de coleta de dados que sobreviveram em Ferraz e o aluguel de um terceiro navio (o Brasil tem dois operando na Antártida, um deles, o Ary Rongel, tem sofrido panes constantes) para servir de base fixa para os cientistas brasileiros na baía do Almirantado, onde fica a estação.
Os custos não incluem a reposição dos equipamentos perdidos no incêndio. O coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, Jefferson Simões, estimou em R$ 10 milhões o prejuízo para os pesquisadores. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação já disse que vai repor as perdas.
A segunda fase, para a qual ainda não há estimativa orçamentária, inclui o projeto da nova estação, que precisa ser aprovado pelos 28 países-membros do Tratado da Antártida em 2013. Só então a construção pode ser iniciada.
Segundo Simões, apesar de 33 projetos de pesquisa terem sido afetados, a ciência antártica não parou por causa do incêndio. "Oito projetos já estavam interrompidos havia mais de dois anos por dificuldades logísticas."