O Irã afirmou nesta quarta-feira que não realizou nenhuma atividade nuclear na base militar de Parchin, no sudeste de Teerã, apontada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) como lugar a ser inspecionado por suas suspeitas de que o programa nuclear iraniano tem uma vertente militar.
Segundo disse Fereydun Absi, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (OEAI), todos os centros nucleares do Irã estão abertos aos inspetores da AIEA e só é preciso dar um aviso prévio rotineiro de sua visita com duas horas de antecedência.
No entanto, disse Absi, a AIEA só pode inspecionar centros nucleares que estão sob sua supervisão, e não outros lugares do Irã, em referência à base de Parchin, que afirmou não ter atividade atômica e estar sob controle militar.
Em sua última visita a Teerã, nos dias 20 e 21 de fevereiro, uma equipe de inspetores da AIEA não recebeu permissão para visitar Parchin, segundo disse o organismo em uma nota emitida em Viena.
"O Irã não deu sua permissão para fazer esta visita", dizia o comunicado, no qual Yukiya Amano, diretor-geral da AIEA, afirmou: "É decepcionante que o Irã não tenha aceitado nosso pedido de visitar Parchin".
No entanto, para Absi, as duas últimas reuniões em Teerã das autoridades iranianas com a equipe de cinco inspetores da AIEA, liderados pelo diretor-adjunto do organismo, Herman Naeckerts, nos dias 29 a 31 de janeiro e 21 e 22 de fevereiro, foram "positivas e prosseguirão no futuro".
Fontes diplomáticas europeias disseram à Agência Efe que a AIEA, que suspeita da existência de uma faceta militar no programa nuclear iraniano, o que Teerã nega, poderia inspecionar instalações militares onde suspeita que sejam desenvolvidos equipamentos ou armamento que pode ser utilizado para fabricar bombas atômicas.
Já o embaixador do Irã perante a AIEA, Asghar Soltanieh, afirmou que as conversas entre Teerã e a agência das Nações Unidas prosseguirão no futuro e disse que a visita a Parchin não é descartada e pode ser realizada com um acordo entre as partes.
Após reuniões com a AIEA, o Irã deve realizar um próximo encontro com o Grupo 5+1, composto pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, EUA, Rússia, Reino Unido e França) mais a Alemanha, para discutir o programa nuclear do país.
Em todo caso, o país afirmou que não vai renunciar a seu programa nuclear, que insiste ser exclusivamente pacífico e civil, apesar das sanções da ONU, dos EUA e da União Europeia.
Além disso, Estados Unidos e Israel ameaçaram o Irã com ataques militares para evitar o desenvolvimento de seu programa nuclear.
Teerã respondeu que, se for atacado, dará uma resposta "contundente", especialmente contra o território de Israel e as bases e navios americanos na região, além de fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa quase 20% do petróleo consumido no mundo.