Cada vez mais os adultos estão se interessando por um brinquedo que antes era considerado “coisa de criança”: o videogame. Nos Estados Unidos, a média de idade dos jogadores é de 37 anos e 21% dos maiores de 18 anos joga videogame todos os dias. E no Brasil, a febre não fica atrás.

O programador Kaio Vinícius Gutierres Leão, de 22 anos, é um viciado em games e não passa um dia sequer sem controlar o joystick. Ele conta que em dias de semana joga apenas duas horas, por causa do emprego, mas nos finais de semana a história é outra. “Durante a semana só jogo a noite e faço o máximo para não varar a madrugada jogando e conseguir acordar no dia seguinte. Já de final de semana é o contrário, eu fico em casa de manhã e a tarde e saio à noite, então eu jogo bastante, mais de quatro horas normalmente”, relata.

Para ele, o fato de os adultos estarem tão apegados aos games é normal. “Acho que é um ciclo natural. Como a minha geração jogou muito game na infância, o gosto pela coisa continuou, e com a evolução dos jogos, a experiência de jogar se torna cada vez mais estimulante”.

Games para acima dos 18 anos
De fato a indústria de videogames já percebeu essa tendência e vem lançando jogos direcionados especialmente ao público adulto. Impedir a Terceira Guerra Mundial, pilotar um carro de Fórmula 1, controlar seu super-herói favorito, domar dragões ou até mesmo comandar os melhores jogadores de futebol do mundo.

Com um joystick na mão, as opções são infinitas. E tamanha variedade é atrativo principal dos grandinhos.

“Na minha infância os jogos era bem mais infantis e ‘bobinhos’, porém muito legais e viciantes. Hoje os jogos são extremamente elaborados, com níveis de dificuldade bem complexos, e sem dúvida uma criança não se interessa por isso. Para mim os games foram envelhecendo junto comigo de forma transparente, eu fui crescendo e sempre havia jogos que me interessavam. Acho isso ótimo, afinal posso continuar sempre jogando e aguardando jogos melhores”, exalta Kaio.

De acordo com Paulo Moraes, gerente de uma loja especializada em videogames em Bauru, interior de São Paulo, os adultos estão cada vez mais interessados pela tecnologia e quando chega o dia do pagamento, muitos procuram jogos. “Eles compram jogos de tiro, de corrida, de guerra”, conta.

Alguns consoles, buscando atrair ainda mais adeptos, lançaram acessórios que percebem o movimento do jogador na frente da TV e os reproduz no jogo, não precisando do uso de controles. “Depois que saiu o Kinnect para Xbox 360 e o Move para o Playstation 3, o pessoal se interessou ainda mais”, diz Paulo. Neste final de ano, sua loja bateu o recorde de vendas do Xbox 360, já que o console agora é produzido no Brasil a um preço consideravelmente mais baixo.
Clássicos para sempre...

E nem sempre os adultos se interessam em jogos de gente grande. Os personagens clássicos dos videogames, como Mario e Sonic, continuam tendo sucesso nas vendas. “No Nintendo Wii, todos os jogos do Mario são muito comprados pelos adultos”, conta Paulo.

Coisa de menina?
A Entertainment Software Association, que entre muitas atividades, organiza anualmente a maior feira de games do mundo, a E3, realizou uma pesquisa sobre o atual perfil dos jogadores de videogame. Nos EUA, foi revelado também que o público feminino corresponde a 42% e o masculino a 58%. As mulheres com mais de 18 anos representam 37% das jogadoras, já os meninos de ate 17 anos, correspondem a somente 13%.

E por aqui, as mulheres vêm provando que sabem muito bem como controlar um joystick. A estagiária de jornalismo, Marina Rodrigues Crespo, de 24 anos, se encaixa no perfil de meninas que jogam videogame. Ela conta que começou a gostar quando ganhou seu primeiro console, um Master System, com 7 anos. A paixão é tanta, que ela já planeja comprar os consoles de última geração. “Em abril vou viajar para os Estados Unidos e vou comprar o Xbox 360 e o Playstation 3”, diz.

Ela tem muitas amigas que também curtem videogames e, juntas, criaram o blog “Garotas Geek”, onde escrevem sobre games, cosplay, anime, tecnologia e outros assuntos do mundo ‘nerd’. Marina apoia o aumento no número de mulheres que curtem games.

“Geralmente os pais de meninas dão bonecas de presente e os de meninos dão games, então estamos passando por uma transformação cultural e de comportamento”. E diz que o namorado curte também. “Ele acha o máximo eu jogar videogame. Acho que é o sonho de todo homem ter uma companheira que curta as mesmas coisas que ele”, comenta.