A audiência de julgamento de quatro PMS acusados pelo assassinato de Juan Moraes, 11 anos, durante operação na favela Danon, em Nova Iguaçu, causou embaraço ao juiz Marcio Alexandre Pacheco da Silva. Devido à demora para o início dos depoimentos, uma testemunha passou mal e teve de ser retirada.
Ela se chama Esther e precisou de um tubo de oxigênio para respirar, pois tem apenas um pulmão. Também chegou a vomitar e se recupera de uma pneumonia. Três horas depois do horário marcado para a audiência, ninguém havia sido ouvido. "Eu preciso de oxigênio para respirar. Eu avisei que não podia esperar tanto. Demoraram demais. Eu preciso de um hospital", disse Esther. Ela foi levada por familiares. Outra testemunha havia ameaçado sair da sala antes dela passar mal, mas o juiz ameaçou prendê-la por desacato.
Por outro lado, o juiz decidiu que os depoimentos de Wesley Moraes e Rosinéia Moraes, irmão e mãe de Juan, não seja tomado em Brasília, como requeria o Ministério Público e a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos. O magistrado garantiu, contudo, que dará todo apoio de segurança para que as testemunhas não sejam ameaçadas pelos quatro réus.
Isaías Souza do Carmo, Edilberto Barros do Nascimento, Ubirani Soares e Rubens da Silva, presos desde julho do ano passado, são acusados de terem assassinado e ocultado o cadáver de Juan, cuja ossada foi encontrada apenas 10 dias depois do crime, em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense. Wesley Moraes, 14 anos, irmão da vítima, e Wanderson, 19 anos, foram baleados durante a ação policial. Os PMs afirmaram no primeiro depoimento que Wesley era traficante. Wanderson será ouvido hoje, mas o depoimento de Wesley deve ser colhido em outra data, possivelmente em Brasília. Os dois estão sendo protegidos pelo serviço de proteção à testemunha.
Os PMs são acusados de dois homicídios duplamente qualificados e duas tentativas de homicídio duplamente qualificado, com dois agravantes: uma das vítimas era menor e houve abuso de poder. Segundo as acusações, Ubirani e Rubens participaram do crime dando cobertura aos outros PMs.