O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou à Folha que só soube neste domingo da decisão da Justiça de mandar desapropriar nesta manhã um terreno em Pinheirinho, São José dos Campos (97 km de São Paulo).
A área, onde vivem cerca de 6.000 pessoas, é alvo de uma disputa entre os invasores e a massa falida de uma empresa, proprietária do terreno. O governo federal acompanhava o caso e havia mostrado interesse em ajudar a resolver o impasse, mas foi surpreendido.
"Ficamos sabendo hoje. A informação que eu eu tinha até ontem é que a Justiça Federal havia sustado [a decisão de reintegrar a posse]. Antes disso, havia um acordo para adiar por um prazo de 15 dias com o juiz da massa falida. Ai hoje ficamos sabendo dessa situação. Assim que eu soube falei com o governador e o presidente do tribunal", disse o ministro.
Segundo Cardozo, embora a ação de reintegração seja estadual, o governo acompanha a situação por se tratar de "um quadro delicado". A operação provoca um conflito entre os moradores do terreno e a Polícia Militar de São Paulo e ocasionou por um tempo o fechamento da Via Dutra.
"O governador me falou que a situação estava sob controle, que seria uma desocupação dentro de padrões tranquilos. Ele me disse que o governo está aparelhado, preparado para a remoção das pessoas. Ainda não tenho como avaliar."
O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), está no local. Ele relatou ser um "conflito de grandes proporções" e criticou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) por não ter evitado essa situação de confronto com os moradores da área. "Ele se omitiu dessa situação. É uma ação que poderia ter sido evitada porque é uma disputa em torno de habitação."