As autoridades italianas elevaram de 16 para 29 o número de pessoas desaparecidas depois do naufrágio do transatlântico Costa Concordia, onde técnicos realizaram nesta terça-feira três explosões controladas como parte das buscas.

O objetivo dessas explosões é permitir que bombeiros e mergulhadores entrem em partes do navio antes inacessíveis.

"Agora podemos ter um melhor acesso a pontos de reunião no navio, onde parece haver mais chances de encontrar alguma pessoa viva ou morta", disse Luca Cari, porta-voz dos bombeiros.

"Vão levar microcâmeras para lá, e vamos simultaneamente olhar as poucas áreas secas remanescentes, e também as áreas molhadas", afirmou.

O tempo melhorou um pouco nesta terça-feira, mas o mar continuava agitado. Na segunda-feira, a embarcação moveu-se ligeiramente sobre o leito rochoso, o que obrigou a equipe de resgate a parar seu trabalho por algumas horas.

O Costa Concordia naufragou na sexta-feira, com cerca de 4.200 pessoas a bordo, depois de bater numa rocha nas proximidades da ilha de Giglio, na costa oeste italiana.

A empresa proprietária do navio acusa o comandante Francesco Schettino, que foi preso, de ter sido imprudente ao aproximar demais o navio da ilha com a intenção de "saudar" seus moradores. E a Guarda Costeira italiana afirmou nesta terça-feira ter pedido ao comandante que retornasse a bordo para supervisionar a remoção das pessoas, mas ele se recusou a fazer isso.

Um funcionário da Guarda Costeira disse à Reuters na segunda-feira, refletindo as incertezas que ainda rondam o acidente, que o número de desaparecidos foi revisto de 16 para 29, o que inclui 25 passageiros e 4 tripulantes.

Entre os desaparecidos há 14 alemães, seis italianos, quatro franceses, dois norte-americanos, um indiano, um peruano e um húngaro, de acordo com as autoridades italianas.

Segundo o bombeiro Luciano Roncalli, as equipes de buscas já passaram pela maioria das áreas do navio que não estão submersas, o que reduz drasticamente a esperança de encontrar sobreviventes.

O ministro do Meio Ambiente, Corrado Clini, anunciou a decretação de estado de emergência devido ao risco de vazamento de combustível do navio no Parque Nacional do Arquipélago Toscano.

Clini disse que deu prazo até quarta-feira para que a companhia encarregada de resgatar o navio apresente um plano de ação para a retirada do combustível, e dez dias para um plano que leve à retirada do navio da área.

Falando a uma TV, Clini se juntou às críticas contra o comandante Schettino, acusado também de ter abandonado o barco.

"Não é preciso ser um ganhador do Prêmio Nobel para entender que um navio desse tamanho deve ficar afastado da costa", disse o ministro.

Schettino nega ter sido imprudente ou abandonado o navio, e diz por intermédio do seu advogado que salvou muitas vidas com manobras realizadas depois da colisão.