O primeiro-ministro da França, François Fillon, disse neste sábado (14) que o rebaixamento da nota da dívida francesa por parte da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) era uma notícia “esperada”, mas que aconteceu em um mau momento e que também não deve ser “dramatizada” nem “subestimada”.

“As medidas que temos tomado são suficientes”, declarou, a cem dias das próximas eleições presidenciais, o chefe do Executivo francês.

Ele não descartou novos ajustes mais adiante, se forem “necessários”, tão logo se tenha uma noção mais clara sobre o crescimento econômico.

Fillon se referiu à possibilidade de aplicar decisões "fortes" e, mais concretamente, de assumir "reformas estruturais", como reduzir "o custo do trabalho" para relançar o crescimento econômico, a partir da cúpula social que será realizada na França na próxima quarta-feira.

Para Fillon, a decisão chegou em “mau momento em relação aos esforços que a zona do euro tem feito, esforços estes que os investidores de fora começam a reconhecer”.

"As agências de classificação de risco não decidirão nossas políticas nem nossa agenda", disse, durante entrevista coletiva. "Nós não esperamos por eles para reduzir nossos déficits e impulsionar nossa competitividade."

Fillon ressaltou que o governo nunca escondeu "a gravidade da crise aos franceses".

Rebaixamento
Na sexta-feira, a S&P anunciou o rebaixamento das notas de risco de nove países europeus. Com isso, França e Áustria, tiveram suas notas rebaixadas de "AAA" para "AA+".

Esses dois países detinham, até então, as notas mais altas na escala da agência, o que significa que suas dívidas representavam praticamente nenhum risco aos tomadores.

Com a redução, apenas quatro países entre os 17 da zona do euro têm, agora, a classificação “AAA”: Alemanha, Holanda, Finlândia e Luxemburgo.