Enquanto a Grécia admitiu que dificilmente deve cumprir a meta de deficit público (receitas menos despesas) deste ano, o governo português declarou nesta terça-feira que deve bater o objetivo fiscal deste ano por larga margem, mas por meio de uma transferência de fundos.
Ambos pertencem ao grupo dos países europeus mais fragilizados financeiramente, e dependem de repasses do FMI (Fundo Monétario Internacional) para fechar suas contas e evitar um "default" (suspensão de pagamentos).
Por esse motivo, as duas nações estão comprometidas com severos ajustes de gastos, que incluem aumentos de impostos e cortes de gastos públicos e redução do funcionalismo público, com forte oposição popular.
A Grécia tem por meta um deficit público de 9,1% (do PIB) para este ano. Mas o próprio Ministério das Finanças já admitiu que o indicador deve repetir, ou ficar muito próximo da cifra de 2010 (10,6%), devido à queda na arrecadação do Estado (3%), devido à recessão de 2010, bem como aumento de aumento no volume de gastos públicos (6,2%).
O Ministério grego tem por meta um deficit público de 5,5% (do PIB) para 2012, ano em que a economia deve encolher 2,8% -- o que deve ser o quinto ano consecutivo de recessão para o país mediterrâneo.
Informações de bastidores afirmam que a chamada "troika" --grupo de credores da Grécia, composto pela Comissão Europeia, BCE (Banco Central Europeu) e FMI-exigiu que o governo grego dispense 173 mil funcionários públicos nos próximos anos.
PORTUGAL
Em Lisboa, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou que o deficit público do país deve bater a casa de 4,5% do PIB neste ano, bem abaixo da meta de 5,9% prevista para 2011. Esse desempenho se deve, em parte, à transferência para o Tesouro nacional dos fundos de pensão dos bancos privados.
Coelho declarou à imprensa local que deve mais medidas de austeridade fiscal e reformas trabalhistas serão necessárias no próximo ano.