A estrutura de segurança no presidio de Segurança Média Desembargador Luiz Oliveira Souza de Arapiraca não é suficiente para manter a guarda de mais de 200 reeducandos recolhidos a instituição penal. A denuncia, é de um dos representantes da categoria dos agentes que não quis se identificar temendo retaliações por parte da Intendência Geral que tem o comando do tenente coronel PM, Luiz Carlos Luna.
De acordo com o agente, o presidio de Arapiraca está com superlotação sua capacidade é para 127 presos e está com mais de 200 reeducandos em suas celas nos dois módulos. Explicou que apenas 10 agentes estão disponíveis para o trabalho diário para o serviço de escolta de presos, audiências, consultas médicas e odontológicas e escola que funciona no interior do presidio.
Os agentes temem a ação de rebeliões e até uma ação de resgate de presos a qualquer momento, todas as noites são necessárias a intervenção do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes) do 3º Batalhão para conter supostas tentativas de fugas e rebeliões. Os estudantes do Núcleo Avançado da Universidade Federal de Alagoas – (Ufal) também estão em clima de medo e pavor em razão da insegurança.
O Diretório Central dos Estudantes – (DCE) pretende realizar uma reunião com o sindicato da categoria dos agentes penitenciários no objetivo de maior segurança no presidio no sentido de evitar fugas em massa e rebeliões.
Muro que divide Ufal e presídio não foi construído
Em setembro deste ano estudantes e funcionários da Ufal fizeram uma manifestação em frente ao Campus Arapiraca. Os alunos bloquearam a rodovia AL-115, rodovia que liga Arapiraca a Palmeira dos Índios e a BR-316. Vestidos com camisas pretas, os manifestantes queimaram galhos de árvores e levaram faixas e cartazes cobrando a retirada unidade prisional daquele local.
Em outubro, após reunião com estudantes e a reitora Ana Dayse, o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) anunciou que iria inaugurar um novo presídio em Arapiraca e que o antigo seria doado para a Universidade.
Como medidas emergenciais para aumentar a segurança dos alunos, o governador determinou ao superintendente Geral de Administração Penitenciária, coronel Carlos Luna, presente ao encontro, a agilização para o início das obras de construção de um muro de seis metros de altura e 310 metros de comprimento, que já está planejado e custaria em torno de R$ 350 mil reais.
“Acompanharei pessoalmente a tramitação desse processo para dar a celeridade necessária e asseguro que em 30 dias estaremos iniciando a construção desse muro”, afirmou.
Só que quase dois meses após o anuncio da construção do muro, estudantes denunciaram que nada foi realizado até o momento. “O governador havia anunciado que a obra começaria em trinta dias e hoje já estamos perto do segundo mês e nada de iniciarem a construção do muro”, assegurou um universitário.
De acordo com o agente, o Sistema Penitenciário em Maceió conta com pessoal capacitado para Rota de Fuga, Grupo de Escolta e Grupo de Intervenção Penitenciária. “Esses serviços não estão disponíveis para o presidio de segurança média Desembargador Luiz Oliveira Souza” explicou o agente.
“Toda essa problemática e carências do presidio de Arapiraca é do conhecimento do tenente coronel PM Luiz Carlos Luna através de ofícios encaminhados e protocolados” explicou o agente penitenciário. “Até o momento nenhuma providência foi tomada” completou. A Intendência Geral a Defensoria Pública, e o juiz de Execuções Penais são conhecedores de toda a problemática, assegurou o agente.