Quatro opositores do presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, pediram que os resultados eleitorais no país sejam rejeitados, acusando as autoridades de terem cometido fraude no pleito ocorrido na segunda-feira (28).

O candidato Vital Kamerhe, ex-ministro de Kabila, afirmou que diversas cédulas eleitorais já estavam com os votos marcados a favor do presidente quando chegavam nas mãos dos eleitores e que algumas pessoas foram impedidas de entrar nos colégios eleitorais para votar por seus favoritos ao Parlamento e à presidência.

Três outros concorrentes também defenderam que não se aceitasse nenhum resultado, afirmando que problemas técnicos e fraudes indicavam que os votos não eram confiáveis.

"Não pode haver dúvidas sobre a escala da fraude, deliberadamente planejada por aqueles no poder com a conivência da comissão eleitoral nacional", disse Kamerhe. "Essas eleições devem ser anuladas rapidamente".

Durante as eleições, ao menos três pessoas morreram. Um porta-voz militar informou que dois policiais e uma mulher foram mortos em Lubumbashi, no sul do país, durante um ataque contra um posto de votação lançado por homens armados, indicou um porta-voz militar.

Soldados da Polícia Nacional da RDC e da Missão da ONU no país (Monusco) foram convocados para fazer a segurança do pleito. Com o objetivo de supervisionar o processo, foram distribuídos no país 2.500 observadores nacionais e 300 internacionais.

Diante do clima de tensão, agravado por confrontos entre os eleitores de Kabila e de opositores, com saldo de dois mortos e muitos feridos, a União Africana e a ONU pediram em comunicado aos atores políticos da RDC que contivessem a violência.