Após o depoimento do ministro Carlos Lupi, na quinta-feira, no Senado, a avaliação feita no Palácio do Planalto é que, por enquanto, ele fica no cargo. Isso porque, diferentemente da semana passada, Lupi foi mais contido nas suas manifestações e, embora não tenha apresentado a "explicação convincente" pedida pelo Planalto, não piorou sua situação política. Também não melhorou.
- O paciente Lupi respira por aparelhos, mas ainda está vivo - resumiu um auxiliar da presidente Dilma Rousseff.
O governo quer pretextos para dar uma sobrevida a Lupi, porque a presidente não deseja novas demissões antes da reforma ministerial prevista para o início de 2012.
Essa sobrevida de Lupi foi reforçada pela ação direta do ex-presidente Lula, que o teria incentivado a resistir no cargo. Mesmo não tendo apresentado provas de sua inocência, como prometera a Dilma, seu desempenho foi considerado "ponderado".
A situação de Lupi é muito delicada para o núcleo do governo, até porque ele não eliminou as contradições das versões sobre o uso de um avião providenciado por Adair Meira, dono de ONGs, para sua viagem pelo Maranhão.
Um grupo de ministros defende a manutenção de Lupi para que Dilma não fique refém de denúncias da imprensa; outro teme que a permanência dele no governo contamine a pauta do Planalto, principalmente a que precisa ser decidida pelo Congresso antes do recesso parlamentar em dezembro.
Para ganhar tempo, Dilma diz que aguardará a posição política do PDT sobre a permanência de Lupi. Nesta quinta-feira, foi desmarcada uma reunião da Executiva Nacional do PDT que iria avaliar o caso.
Oficialmente, foi adiada para a próxima semana por falta de quorum. Mas, segundo dirigentes pedetistas, como o cenário era desfavorável a ele, Lupi trabalhou para adiar a reunião.
