A usina nuclear de Fukushima foi aberta à visitação da imprensa pela primeira vez desde o colapso do sistema de resfriamento de seus reatores, causado pela tsunami que atingiu a costa nordeste do Japão em março. Um grupo de 30 jornalistas entrou nas dependências da usina.
Os prédios que abrigam os reatores nucleares ainda estão cercados por caminhões destruídos, pedaços de metal retorcidos e tanques de água amassados. Edifícios que abrigavam escritórios perto dos reatores estão da maneira como foram abandonados em 11 de março. Ao olhar para o horizonte, é possível ver diversos guindastes, em um esforço de reconstrução da área.
Jornalistas que participaram do tour não foram autorizados a se aproximar dos prédios dos reatores. Eles também tiveram que usar roupas especiais de proteção, uma camada dupla de luvas, proteção plástica para os sapatos e redes para os cabelos, além de máscaras de respiração e detectores dos níveis de radiação.
- De acordo com as informações da usina que eu vi, não há dúvidas que os reatores foram estabilizados - afirmou Masao Yoshida, chefe da usina de Fukushima Daiichi, que confessou o medo que sentiu nos primeiros momentos após o incidente - Na primeira semana, eu pensei várias vezes que todos nós íamos morrer.
O cenário ainda é de destroços, mas a Tokyo Electric Power (Tepco), companhia que opera a usina, teve sucesso nas suas tentativas de reduzir a temperatura dos três reatores danificados para abaixo de níveis considerados perigosos.
A empresa está confiante de que conseguirá declarar um “desligamento frio” - quando as temperaturas estão estáveis abaixo do ponto de ebulição - como o previsto para o final de 2011. Esse desligamento é o primeiro passo para criar um ambiente estável em que se possa trabalhar na remoção dos reatores nucleares e fechar a usina.
Enquanto a Tepco conseguiu estabilizar as condições para que seus funcionários possam entrar nos prédios dos reatores, o chefe da usina disse que ainda existem riscos para os que lá trabalham.
- A cada vez que eu volto aqui, eu sinto que as condições melhoraram. Isso acontece graças ao nosso trabalho duro - disse o ministro de Meio Ambiente e da Crise Nuclear, Goshi Hosono, a funcionários da usina - A situação no começo era extremamente grave. Pelo menos podemos dizer que o pior já passou.
Apesar do otimismo, Hosono alertou que podem ser necessários 30 anos para desmontar os reatores após o seu desligamento frio.
Os trabalhadores envolvidos nos esforços de reconstrução e recuperação da usina estão abrigados em J-Village, um centro nacional de treinamento de futebol que foi transformado em base operacional. Segundo a Tepco, cerca de 3.300 funcionários chegam diariamente de J-Village, localizada a 20km da zona de exclusão - antes do acidente, 6.400 pessoas trabalhavam na usina por dia. Quando retornam ao centro de treinamento após o trabalho, eles descartam suas roupas de proteção, que são tratadas como lixo radioativo. Um guia da empresa afirmou que já estão armazenados 480 mil conjuntos de proteção, coletados desde 17 de março.
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