Um carro deixado numa concessionária da Chevrolet em Ponta Grossa (a 118 km de Curitiba) se envolveu num acidente com morte horas depois, ao ser pilotado por um funcionário da empresa.
Segundo a Polícia Civil, o Astra bateu em uma moto por volta da meia-noite de ontem, na BR-376 (cerca de 15 km do centro de Ponta Grossa). O motociclista, um rapaz de 27 anos, morreu no local, e o motorista fugiu sem prestar socorro.
O carro havia sido deixado na concessionária Cipauto por volta das 15h do dia anterior.
O proprietário, que mora numa cidade vizinha a Ponta Grossa, pediu à concessionária que o deixasse em casa, o que normalmente é feito com um veículo específico. "Aí que veio a má intenção: o funcionário disse que o veículo não estava disponível, e se ofereceu para levá-lo no carro do cliente", diz a delegada Cláudia Krüger, que investiga o caso.
Em vez de retornar à concessionária, porém, o empregado usou o Astra em benefício próprio, até se envolver no acidente.
O carro só deu entrada no pátio da empresa por volta da 1h de quarta-feira, com o capô amassado e manchas de sangue no para-choque.
A autoria do crime só foi descoberta porque uma testemunha anotou a placa do veículo no momento do acidente. "Se não fosse esse fiapo de informação, ia ficar por isso mesmo. O funcionário ia consertar o carro, devolver para a vítima, continuar tomando esse tipo de atitude, provavelmente, e estaria tudo certo", afirma Krüger.
O empregado, cujo nome não foi revelado, admitiu o incidente à polícia e foi indiciado sob suspeita de homicídio culposo com omissão de socorro. Ele trabalhava desde o início do ano na concessionária.
Seu advogado, Luis Carlos Simionato Jr., diz que ele deixou de prestar socorro porque o acidente foi próximo a um viaduto povoado por usuários de drogas, que viram o ocorrido e começaram a gritar. "Ele ficou com medo e foi embora", afirma. "O erro dele foi não comunicar nenhuma autoridade, nem a concessionária."
A Folha entrou em contato com a concessionária Cipauto, mas foi informada que o diretor estava viajando e que não havia ninguém disponível para comentar o assunto.
CARRO EMPRESTADO
No dia 29 de outubro, uma jornalista e um professor morreram após serem atingidos por um carro que realizava uma ultrapassagem proibida na estrada velha de Campinas, em Caieiras (Grande SP). O carro que causou o acidente havia sido deixado em um estacionamento de Higienópolis, em São Paulo, e foi "emprestado" pelo manobrista do estabelecimento a dois amigos.
A proprietária do veículo "emprestado" é uma médica de 33 anos.
Segundo a polícia, o carro pego no estacionamento realizou uma ultrapassagem em local proibido e bateu no carro onde estavam a jornalista Denise Pimentel Spera, 25, e o professor Bruno Tuon Perim, 27, que vinha no sentido contrário. Eles morreram na hora. A terceira ocupante do carro, Ligia Maria Celeguim Tuon, também jornalista, sofreu ferimentos leves.
O manobrista e seus amigos foram indiciados sob suspeita de apropriação indébita. O condutor do veículo foi indiciado sob suspeita de homicídio culposo (sem intenção), segundo a polícia.