Representantes de 18 assentamentos do Movimento Sem Terra (MST) de Ouricuri se reuniram, nessa quinta-feira (3), em Atalaia, com dirigentes da Secretaria de Estado da Articulação Social (Seas), do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e prefeitura do município. O titular da Seas, Claudionor Araújo, destacou a importância de ações integradas entre as três esferas de governo e se comprometeu a entregar a pauta de reivindicações ao governador Teotonio Vilela e a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri).
Claudionor reafirmou o compromisso do governo de Alagoas com os movimentos sociais agrários e disse que, junto ao secretário chefe do Gabinete Civil, Álvaro Machado, atuará como mediador e articulador entre os representantes do MSTe as famílias assentadas em Ouricuri. O objetivo é levar as demandas da comunidade ao governador Teotônio Vilela Filho e mobilizar órgãos da administração direta para atender às solicitações do povoado.
O secretário informou que também vai levar as solicitações à Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), que deve viabilizar alternativas para os trabalhadores. Claudionor também informou que vai intervir junto ao Departamento de Estradas e Rodagens de Alagoas (DER) para solicitar a conclusão das obras de sinalização na pista de acesso ao assentamento, outra demanda discutida no debate.
“As demandas não são apenas pedidos, mas direitos que devem ser atendidos. No que for possível, vamos contribuir e articular. Mesmo em demandas que não sejam de competência do governo do Estado, vamos intervir e buscar responder”, destacou o secretário. Claudionor sugeriu aos trabalhadores um projeto de criação de cooperativa para o escoamento da produção agrícola, iniciativa já existente em assentamentos de Flexeiras e São Luiz do Quitunde.
Segundo ele, é uma forma de facilitar a produção e comercialização de mercadorias produzidas pelos trabalhadores, sem o pagamento de fretes, evitando prejuízos e possibilitando distribuição de recursos obtidos entre os cooperados. Na ocasião, a superintendente do Incra, Lenilda Lima, enfatizou a importância do controle social e do papel fiscalizador do movimento agrário para a melhorar a qualidade de vida nos assentamentos.
No debate, líderes do movimento reivindicaram apoio para a infra-estrutura local, especialmente a pavimentação da estrada de acesso aos assentamentos, e solicitaram incentivos para a utilização de implementos agrícolas, que ainda não são acessíveis aos trabalhadores.
A coordenadora nacional e estadual do MST em Alagoas, Débora Nunes, destacou que “em meio a tantas tecnologias existentes na produção agrícola, os trabalhadores do assentamento continuam produzindo na unha e na enxada”.
POVOADO - Ouricuri conta, atualmente, com 503 famílias e 18 assentamentos de trabalhadores, sendo a maior parte deles remanescente da falida Usina Ouricuri, que empregava boa parte da mão de obra em Atalaia. Os assentamentos totalizam 4.890,91 hectares, sendo um dos maiores do Estado.
De acordo com o Incra, o programa de créditos do governo federal para a instalação de habitações no local já injetou quase R$ 6,2 milhões na economia do município, influenciando, portanto, nos índices de ICMS e no crescimento da produção. Para a construção de habitações para os assentados, não há contrato com empresas, mas sistema participativo de mutirão e auto-gestão em que os próprios trabalhadores atuam na construção de suas casas.