Membros da reitoria da USP (Universidade de São Paulo) se reúnem na tarde desta quarta-feira (2) para discutir a situação no prédio que foi invadido durante a madrugada de hoje, segundo informou a assessoria de imprensa.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 150 alunos continuavam ocupando o local por volta das 14h desta quarta-feira de forma pacífica. Segundo Aníbal Cavalli, da diretoria do Sindicato de Trabalhadores da USP, o grupo não pretende deixar o local até que suas reivindicações sejam atendidas. Entre as principais exigências está a quebra do convênio entre o Estado de São Paulo e a USP para retirar a polícia do campus.

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A invasão aconteceu por volta das 00h30 desta quarta-feira (2) após uma assembleia de estudantes, que decidiu pela desocupação do prédio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) na noite de terça (1º), que havia sido invadido no dia 27.

Insatisfeito com o resultado dessa votação, um grupo saiu do prédio da FFLCH e se dirigiu à reitoria. Alguns dos estudantes carregaram pedaços de madeira, e não queriam a aproximação da imprensa.

A Polícia Militar esteve no local, mas não houve registro de confronto com os alunos. A manifestação foi pacífica.

Na tarde de terça-feira (1º), cerca de cem estudantes fizeram um protesto a favor da permanência da Polícia Militar no campus. A ação teve início às 17h e aconteceu na praça do Relógio, na Cidade Universitária, zona oeste da capital.

De acordo com a assessoria de imprensa da USP, o protesto foi pacífico. Outro grupo de estudantes, contrário à permanência da corporação no local, fez a assembleia para discutir os novos rumos da manifestação no início da noite de ontem.

PM na USP

O convênio que permite que a Polícia Militar atue dentro do campus da USP durará pelo menos cinco anos. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que a Polícia Militar realiza um trabalho “eficiente” dentro do campus.

- A Polícia Militar está há mais de 50 dias fazendo policiamento para proteger todos na universidade: professores, funcionários, alunos, visitantes, numa missão pacífica e que tem trazido bons resultados.

A universidade informou que o convênio com a polícia foi decidido pelo conselho após o assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade), e que foi "aprovada pela ampla maioria dos representantes da comunidade acadêmica".

Conflito

O impasse entre os alunos e a Polícia Militar começou no dia 27 de outubro. Centenas de universitários teriam se reunido em frente às viaturas em que estavam três estudantes supostamente flagrados com maconha, para evitar que eles fossem detidos.

De acordo com os estudantes, “a polícia continuou irredutível e chamou reforços”, o que teria provocado o confronto que terminou com uso de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, bala de borracha e uso de cassetetes, por parte da PM.

A Polícia Militar informou que, por conta do confronto, três policiais militares ficaram feridos e cinco viaturas foram danificadas pelos estudantes da USP. Os jovens presos foram levados para o 91º Distrito Policial (Ceagesp), onde iriam assinar um termo circunstanciado antes de serem liberados.

Em nota divulgada na sexta-feira (28), os alunos afirmaram que a decisão de ocupar o prédio da FFLCH foi tomada por cerca de 500 alunos. Ainda não houve um posicionamento formal sobre a invasão à reitoria desta quarta.