Um pedido de prisão do vereador por Maceió, Luiz Pedro (PMN), foi encaminhado, na semana passada, ao juiz da 8ª Vara Criminal da Capital. A solicitação foi feita pelo promotor de Justiça Marcus Mousinho após as ameaças sofridas por uma testemunha do processo que apura a morte do servente de pedreiro Carlos Roberto Rocha Santos, 31 anos.

O crime ocorreu em agosto de 2004 e o vereador Luiz Pedro é apontado pela Justiça como o autor intelectual. O corpo de Carlos Roberto chegou ao Instituto Médico Legal (IML), mas em seguida desapareceu misteriosamente. Desde então, o pai da vítima, Sebastião Pereira, trava uma luta em busca de justiça.

A confirmação do pedido de prisão foi feita pelo promotor Marcus Mousinho durante uma entrevista ao radialista Warner Oliveira, da Rádio Gazeta, na manhã desta terça-feira (25). Segundo informações do promotor, pessoas que teriam ligação com o vereador estariam intimidando uma testemunha do caso, com ameaças.

A expectativa é que o pedido de prisão seja analisado ainda esta semana. A reportagem do CadaMinuto não conseguiu contato com o promotor, que participa de uma audiência em Maceió.

O crime

Carlos Roberto foi levado da sua casa por volta das 1h30 da madrugada do dia 12 de agosto de 2004 e assassinado com 21 tiros nas proximidades do Conjunto Habitacional Tabuleiro do Martins. O mais revoltante é que os familiares da vítima só tiveram acesso às informações dois anos e oito meses após o crime.

O pai da vítima, Sebastião Pereira dos Santos(foto) denunciou e provou que o IML recolheu o corpo, porém escondeu da família que o fato. “Fui lá várias vezes e me informavam que o corpo do meu filho não tinha dado entrada. Não tenho dúvidas de que o cadáver foi ocultado no IML”.

Ele passou por várias exumações e em uma delas em junho de 2007, foi constatado que o túmulo, onde deveria estar o corpo, havia sido violado e o corpo não estava mais no local. O administrador do cemitério, Valfredo Isidório dos Santos chegou a ser preso pela polícia. Até hoje o corpo de Carlos Roberto não foi achado

Durante a fase de inquérito policial, o agente penitenciário Luis Vagner, principal testemunha do crime, teria afirmado que as pessoas responsáveis pelo seqüestro e morte do jovem seriam ‘capangas’ de Luiz Pedro.

No dia 10 de novembro de 2008 os autores materiais do homicídio foram julgados e condenados. Adézio Rodrigues Nogueira, Leone Lima, Valter Paulo dos Santos e Nelson Osmar Vasconcelos são acusados de participar do grupo de extermínio, cujo chefe seria o Luiz Pedro, que tentará voltar à Assembleia Legislativa nas eleições de outubro.