Pela primeira vez desde o início dos protestos contra o ditador Bashar al Assad, na Síria, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou e condenou as ações do regime de Damasco, aliado estratégico de Teerã.
Em entrevista à CNN, o iraniano manifestou-se contrário ao que classificou como "matanças" na Síria. Segundo estimativas das Nações Unidas, mais de 3.300 pessoas já foram mortas pelo governo.
"Condenamos os mortos e as matanças na Síria, tanto se as vítimas pertencem às forças de segurança como à oposição ou à população", declarou Ahmadinejad, segundo uma transcrição parcial desta entrevista realizada em persa e divulgada neste sábado no site da televisão estatal iraniana.
Os dirigentes iranianos criticam há algum temo a incapacidade de seu aliado de resolver pacificamente a crise que o opõe a uma parte de sua população, mas é a primeira vez que Ahmadinejad condena abertamente a violência no país.
"Temos uma solução clara para a Síria, que todas as partes se sentem em torno de uma mesa e achem um acordo", afirmou o presidente iraniano.
"Todos esses mortos não vão contribuir com nenhuma solução, e em longo prazo levarão a um beco sem saída", acrescentou Ahmadinejad.
A Síria é o principal aliado árabe do Irã desde a revolução islâmica de 1979, por isso Teerã está muito preocupado ante o risco de que o regime do presidente Bashar al Assad caia em consequência de uma revolta popular, como já aconteceu na Tunísia, Egito e Líbia.