Um vídeo que mostra o ex-ditador da Líbia Muammar Gaddafi capturado ainda com vida nesta quinta-feira reforçam as suspeitas de que ele tenha sido executado pelos rebeldes, embora ainda não haja versão oficial sobre as circunstâncias de sua morte, confirmada mais cedo pelo premiê líbio Mahmoud Jibril. Em Londres, a ONG Anistia Internacional (AI) pediu uma investigação ao órgão político que governa o país interinamente.
As imagens divulgadas nesta quinta por várias redes de televisão árabes, entre elas a Al Jazeera, com sede no Qatar, mostram o ex-ditador líbio vivo, com o corpo todo ensanguentado e rodeado por rebeldes, antes de ter sido morto por um ou dois tiros, segundo relatos médicos também transmitidos pela emissora árabe mas ainda não confirmados oficialmente.
Em comunicado, a AI pediu ao Conselho Nacional de Transição (CNT) que divulguem todos os detalhes da morte de Gaddafi, além de iniciar uma "investigação independente e imparcial para apurar o fato".
Registradas possivelmente por um telefone celular ou uma câmera amadora, as imagens mostram Gaddafi totalmente desorientado, mas caminhando com seus próprios pés.
TROCA DE TIROS
Após o chamado da AI, autoridades líbias começaram a divulgar mais detalhes e disseram mais cedo que Gaddafi morreu durante uma troca de tiros entre seus apoiadores e as forças rebeldes depois de sua captura.
A informação é do Conselho Nacional de Transição (CNT), da Líbia, divulgada pela agência Reuters. Gaddafi teria morrido poucos minutos antes de chegar a um hospital na cidade de Misrata. O CNT diz que não foram dadas ordens para executar o ex-ditador, indicando que sua morte não teria sido "intencional".
Um porta-voz do CNT em Benghazi, Jalal al Galal, informou também que um médico examinou o corpo do ex-líder em Misrata e indicou que ele havia sido atingido por um tiro na cabeça e outro no abdômen.
Outra fonte do CNT afirmou que Gaddafi foi capturado vivo e teria resistido.
AVIÕES FRANCESES
Em outra indicação sobre as circunstâncias da morte do ex-ditador, o ministro da Defesa da França, Gérard Longuet, anunciou que aviões franceses identificaram e "pararam" o comboio no qual estava o ex-ditador antes que fosse atacado em terra por forças líbias do novo regime.
O comboio, "de várias dezenas de veículos", foi "parado quando tentava fugir de Sirte, mas não foi destruído pela intervenção francesa", explicou Longuet à imprensa.
Depois os combatentes líbios do Conselho Nacional de Transição (CNT) chegaram, destruindo os veículos dos quais "retiraram o coronel Gaddafi", acrescentou o ministro.
Segundo Longuet, um caça Mirage-2000 francês recebeu a ordem do comando conjunto da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) "de impedir o avanço dessa coluna" e após o ataque do avião ao comboio das forças do CNT "foram destruídos os veículos, deixando mortos e feridos, entre os quais, segundo foi confirmado posteriormente, estava o coronel Gaddafi".