O ministro do Esporte, Orlando Silva, defendeu nessa terça-feira (18) a continuidade do programa Segundo Tempo, destinado a incentivar a prática esportiva entre crianças e adolescentes e alvo de denúncias de desvios de verba na pasta. Ao falar que o programa beneficia hoje 2 milhões de crianças, disse que há maneiras de controlar os "focos" de irregularidades.
"Nossa orientação é para que continue com melhoria de projetos, de pessoal, de formação de atletas e professores. Esse é nosso objetivo. Se aqui e acolá forem encontrados um ou outro erro, o nosso papel é corrigi-lo", afirmou.
De acordo com Orlando Silva, o ministério já tomou medidas para diminuir supostas fraudes relacionadas à compra de alimentos, material esportivo e uniformes. Ele informou que as compras de alimentos passaram para a responsabilidade de escolas e parceiros locais, em vez de serem responsabilidades de entidades que administram os programas.
A segunda medida é um processo de seleção mais "sofisticado". Segundo Silva, em julho foi organizada uma chamada publica – concluída em setembro - para parceiros do Segundo Tempo. Para ele, o pregão eletrônico torna o processo mais transparente e pode reduzir custos.
"As dificuldades que encontramos em auditorias foram modificadas e são alvo de fiscalização", disse.
Ainda segundo o ministro, o Segundo Tempo tem atualmente 234 convênios, dos quais cerca de 90% são firmados com entidades públicas. Essa quantidade deve aumentar. Orlando Silva disse que os convênios com ONGs que vencerem não serão renovados.
Denúncia
O ministro Orlando Silva é acusado pelo policial militar João Dias Ferreira de receber propina e comandar esquema de desvio de verbas do programa Segundo Tempo.
Em audiência na Câmara nesta terça, o ministro reiterou sua defesa, dizendo que o PM não tem provas de seu suposto envolvimento e que a denúncia é uma "reação" de João Dias à cobrança, por parte do Ministério, de cerca de R$ 3 milhões, por irregularidades em convênios firmados entre a pasta e ONGs ligadas ao policial.