A sucessão política em Alagoas vem sendo marcada pelas relações de parentesco, que continuam mantendo famílias tradicionais em cargos públicos, como os Calheiros, Beltrão, Bulhões, Novaes e Palmeira. Essa geração de parlamentares começa a vida pública cedo, contando com o apoio de grandes grupos políticos, articulados em seus municípios de origem.
Geralmente, os filhos seguem os passos dos pais, como no caso do deputado federal Renan Filho, que também já foi prefeito de Murici, do deputado estadual João Henrique Caldas e ainda, do presidente da Câmara de Maceió, Galba Novaes de Castro Filho. As mulheres também ocupam lugar de destaque, a exemplo de Melina Freitas e Flávia Cavalcante.
Para o cientista político, Eduardo Magalhães a política, não só em Alagoas, é pensada como uma empresa, que possibilita ganhos econômicos e quebrar a hegemonia de famílias tradicionais não é algo fácil. Ele lembrou que essa é uma tendência nacional, lembrando que muitos conseguem eleger não apenas seus filhos.
“Isso é algo que vem se intensificando nos últimos 20 anos. Além dos altos salários e do bem estar, existe o prestígio, é a regra do jogo. As famílias tradicionais começaram a perceber que existia a possibilidade de uma economia de sucessão, mas isso não está baseado na corrupção. Há famílias que elegem prefeitos, vereadores, senadores, governadores, deputados”, afirmou.
Magalhães lembrou que muitas dessas famílias desempenham um papel importante na história política do Estado. Nesse contexto está o pai do governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, Arnon de Melo, pai do atual senador Fernando Collor e o pai do vereador Galba Novaes, que pode lançar seu filho como candidato à Câmara.
“À cada dia vemos mais tentativas de sucessão familiar. Tem o João Caldas, que elegeu a esposa, Eudócia Caldas para a prefeitura de Ibateguara, e o filho, João Henrique Caldas para a Assembleia Legislativa. Existe um histórico político no Estado de atividades políticas não só no âmbito social, e sim, econômico”, destacou.
