Especialistas sobre transparência em dados públicos avaliam que as diferentes esferas do governo ainda estão longe de permitir um acesso amplo e de qualidade às informações da administração.

Representantes de organizações da sociedade civil, jornalistas e vereadores paulistanos defenderam ontem em São Paulo a aprovação de leis específicas para garantir o acesso a dados referentes a órgãos públicos.

Um dos debates do seminário "A Era dos Dados Abertos" organizado pela Câmara Municipal de São Paulo, reuniu jornalistas de grandes veículos da mídia do país.

LIVRE ACESSO

O painel "Como a Imprensa Vê a Transparência Pública" teve a participação de Fernando Rodrigues, colunista da Folha, Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do jornal "O Estado de S. Paulo", Merval Pereira, colunista do jornal "O Globo" e Milton Jung, âncora da rádio CBN.

Rodrigues afirmou que os jornalistas ainda esbarram em muitas dificuldades para obter informações em todas as esferas de poder, principalmente do Judiciário.

O colunista da Folha lembrou que um projeto de lei de acesso a informações públicas já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e agora está em trâmite no Senado.

"Muitas vezes o agente público fica sem amparo legal para fornecer determinados dados e, na dúvida, não passa a informação", disse.

Para o jornalista, é preciso acabar com cultura da falta de transparência no país. "Não é só a lei que vai mudar essa cultura, mas ajuda muito", enfatizou.

Em sua participação, Gandour apontou que o papel dos entes públicos inclui os deveres de "servir, estar disponível e prestar contas".

O diretor de Conteúdo do "Estado" defendeu que os jornalistas desenvolvam métodos para aprimorar a análise das informações públicas.

"O mundo hoje está muito complexo. Muitas vezes um projeto envolve nuances contratuais de parcerias e normatizações que são difíceis de entender", disse.

O colunista do "Globo" ressaltou a necessidade de uma legislação para a fixação de prazos para a divulgação de dados considerados secretos.

Segundo o colunista, uma lei sobre o tema levará o agente público a "exercer o cargo com a noção de que a História poderá um dia lhe cobrar".

Em sua exposição, Jung disse que atualmente já estão disponíveis recursos tecnológicos e humanos para uma maior abertura de dados.

Ele observou, porém, que "é preciso interesse público e pressão da sociedade para que esse processo avance".