A agência cultural das Nações Unidas começou a estudar um esboço de resolução da delegação palestina pedindo para tornar-se membro integral do organismo, disse uma fonte da Unesco na quarta-feira. Trata-se da iniciativa mais recente dos palestinos para buscar seu reconhecimento como Estado.

Em setembro o presidente palestino, Mahmoud Abbas, apresentou ao Conselho de Segurança da ONU um pedido formal de ingresso como membro da entidade, ignorando uma ameaça dos EUA de vetar a medida se ela for posta em votação, além de ameaças de parlamentares norte-americanos de restringir a assistência prestada pelos EUA aos palestinos.

Em um esforço para intensificar a pressão sobre a ONU, os palestinos vêm procurando instituições alternativas que possam reconhecer seu Estado.

Na terça-feira o Estado palestino ganhou status de parceiro do Conselho da Europa, o principal organismo de defesa dos direitos humanos do continente.

"A resolução que está sendo discutida no momento propõe que a Palestina seja incluída como membro da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura," que vai decidir se a Palestina é admitida ou não, disse a fonte.

O conselho executivo de 58 membros vai rever o esboço de resolução e decidir se o aprova para ir à votação na Conferência Geral da Unesco, que ocorrerá entre 25 de outubro e 10 de novembro e envolve todos os 193 membros da Unesco, sediada em Paris.

Os palestinos têm status de observadores na Unesco desde 1974. Para ganhar status de membro pleno, os chamados "Estados" que não são membros da ONU podem ser admitidos na Unesco se forem aprovados por maioria de dois terços na Conferência Geral.

Não ficou claro se a Palestina precisaria ser um Estado para que seu pedido possa ser aprovado.

A expectativa era que o conselho executivo votasse o esboço de resolução na quarta-feira, mas grupos criados especificamente para negociar essa questão podem levar a decisão a demorar mais.

A tentativa mais recente dos palestinos de ganhar reconhecimento já suscitou reação irada nos Estados Unidos, onde a presidente do comitê de relações exteriores da Câmara dos Deputados, Ileana Ros-Lehtinen, pediu que os EUA cortem o financiamento da Unesco se o pedido palestino for aprovado.

"Temendo que seus esforços junto ao Conselho de Segurança fracassem, a liderança palestina está buscando reconhecimento em outras partes do sistema da ONU," disse Ros-Lehtinen.

"Esta tentativa de manipular o processo precisa ser interrompida. Nossas contribuições são a alavancagem mais forte que temos na ONU e devem ser usadas para defender nossos interesses e nossos aliados e sustar este esforço palestino perigoso."

Enviados do chamado "Quarteto" do Oriente Médio —União Europeia, Rússia, ONU e Estados Unidos— vão se reunir em Bruxelas no domingo para tentar fazer avançar a causa da paz israelo-palestina.

(Reportagem adicional de Susan Cornwell em Washington e Lou Charbonneau nas Nações Unidas)