A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira a empresários europeus e brasileiros reunidos em Bruxelas paralelo à cúpula política entre a União Europeia (UE) e o Brasil, que o equilíbrio macroeconômico e fiscal não é incompatível com o "desenvolvimento humano" e a geração de emprego e oportunidades. O discurso de Dilma na conferência empresarial UE-Brasil ocorreu na presença dos presidentes do Conselho Europeu, Herman van Roumpuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

Dilma ressaltou que os investidores estrangeiros encontram no Brasil um país "renovado e de confiança", uma vez superado o período de instabilidade e de "políticas equivocadas" que conduziram a um longo período de desestabilização. Ela garantiu, no entanto, que o Brasil fez o caminho "correto" para enfrentar os desafios da crise financeira internacional, referindo-se à inclusão social como "ingrediente central" das políticas econômicas do País ao incorporar mais de 40 milhões de cidadãos como "consumidores, produtores, empresários".

Dilma indicou que, graças a um "marco regulador adequado", os bancos privados e públicos de seu país não foram contaminados com ativos tóxicos. "O País, hoje, reúne as condições para um longo período de expansão", ressaltando a combinação de estabilidade macroeconômica e promoção da inclusão social com políticas de inovação "que acrescentam valor" a economia. Dilma referiu-se aos ricos recursos naturais de seu País, "essenciais" para o desenvolvimento da indústria, assim como a moderna agricultura, e destacou que o Brasil "não vai ser só uma economia de serviços".

Expressou igualmente sua confiança em que a cooperação em matéria de energia leve a outra "área estratégica" nas relações com a UE, que a "inovação para o desenvolvimento" se transforme em um novo eixo. Destacou a produção de biocombustíveis no Brasil como método para diversificar as fontes energéticas, e garantiu também que "crescer e respeitar o meio ambiente não é incompatível".

Por sua vez, Van Rompuy destacou a importância de um "equilíbrio adequado entre a austeridade e o crescimento, entre competitividade e inclusão social". "O lento crescimento econômico não se deve principalmente à consolidação fiscal, mas à inflação crescente no mundo todo, a restrição de crédito e a falta de confiança dos consumidores e os investidores", afirmou.

Nesse contexto, tanto a UE quanto Dilma insistiram na necessidade de alcançar um enfoque comum na próxima reunião do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) que será realizada em Cannes (França) entre os dias 3 e 4 de novembro. Para Barroso, mais que uma associação estratégica, a UE e Brasil mantém "cumplicidade estratégica" dada à proximidade e os valores que compartilham em áreas como cultura e direitos humanos, e disse que confia nas duas partes para dinamizar a relação bilateral.