s indígenas bolivianos dispersados pela Polícia no domingo se dirigiram até o povoado de Quiquibey nesta sexta-feira, de onde retomarão sua passeata em direção a La Paz para exigir do presidente Evo Morales que paralise definitivamente a estrada que dividirá uma reserva natural em duas.
O presidente da Confederação de Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB), Adolfo Chávez, disse à Agência Efe que cerca de mil indígenas que ficaram amparados em vários povoados após a violenta repressão da passeata estão se reagrupando em Quiquibey, a mais de 200 km de La Paz, para continuar com sua caminhada em uma data ainda não definida.
Chávez falou por telefone do povoado amazônico de San Borja, onde ajudava a embarcar as duas últimas caminhonetes com indígenas, depois do transporte de centenas durante a madrugada.
"É o início do reagrupamento, o reencontro dos três grupos que ficaram dispersos", disse Chávez.
O presidente da CIDOB afirmou que quando chegarem em Quiquibey esperarão por um tempo antes de voltar a caminhar, porque um grupo de deputados deve encontrar com eles para dialogar.
Os indígenas anunciaram que não voltarão a conversar com os ministros de Morales depois da brutal repressão policial do domingo, que gerou uma onda de protestos em toda a Bolívia e a renúncia de dois ministros, um vice-ministro e outros funcionários.
Chávez disse que não é suficiente o anúncio de Morales de suspender temporariamente as obras da estrada no Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), porque as etnias do lugar querem uma lei garantindo que a estrada não será feita.
O líder acrescentou que após uma avaliação da situação foi confirmado que não há vítimas mortais pelo violento ataque policial, que o próprio Morales qualificou de "imperdoável".
Dirigentes indígenas, a hierarquia católica e vários veículos da imprensa falaram em mortos nos últimos dias, mas nenhum foi confirmado.
"É necessário esclarecer que não há mortos", disse Chávez à agência Efe, e explicou que a confusão aconteceu porque indígenas viram crianças e idosos desmaiados com o gás lacrimogêneo lançado por 500 policiais contra o acampamento.
"O governo deveria agradecer a Deus e a nossos ancestrais que não há mortos. Mas isso marcou aquele dia pelo desespero, e os meios de comunicação não são culpados", acrescentou.
"Os veículos da imprensa não levaram os 'masking' (cintas adesivas que os agentes usaram para atar e amordaçar manifestantes), não ataram os manifestantes, (...) não há sinceridade por parte do governo", disse Chávez.
Morales e seus colaboradores defendem que alguns veículos da imprensa exageraram e distorceram a repressão policial do domingo.
A ONU condenou "o uso excessivo e indiscriminado da força" contra a manifestação e associações da imprensa rejeitaram as acusações de Morales.
Enquanto isso, indígenas aimaras, etnia de Morales, se manifestarão em La Paz para proteger o presidente neste conflito que está afetando sua imagem de ecologista e indigenista.
O governo adiou uma interpelação de três ministros prevista para esta sexta-feira no Congresso, com a desculpa de que dois deles estão dialogando com um grupo indígena guarani do sudeste do país.
Morales tenta mostrar que continua dialogando mas que seus ministros não estão do lado dos manifestantes, mas sim com outros grupos e a oposição.