Criada em 26 de maio de 1999, a Comissão de Ética Pública, vinculada à Presidência da República, tem sua ação limitada e, muitas vezes, ignorada pelos altos servidores públicos. Levantamento feito pelo GLOBO nas atas do órgão em 2010 e 2011 demonstram que os conselheiros, quando tentaram ser severos e fazer valer o Código de Conduta da Alta Administração Federal, acabaram voltando atrás nas próprias decisões.

Além disso, é comum os conselheiros, que se reúnem um vez por mês, só adotarem posicionamentos depois que ministros já deixaram a função, tornando inócua a punição.

Foi o que ocorreu com a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que manteve parentes no governo, acusados de tráfico de influência. A censura ética a que foi submetida só passou a valer depois que ela deixara o governo. E a censura se deu apenas porque ela não havia entregue a Declaração Confidencial de Informação (CDI), documento que toda autoridade é obrigada a entregar até dez dias após empossado na função.

Por lei, a comissão não tem poder de demitir funcionários, mas pode recomendar ao superior hierárquico do investigado que demita quem incorrer em irregularidades éticas.

Em novembro de 2010, a secretária-executiva da comissão, Renata Lúcia Medeiros de Albuquerque Emerenciano, chamou a atenção que 14 autoridades de primeiro e segundo escalões (ministros e secretários executivos) não haviam entregue a DCI, apesar de reiteradas cobranças.