Em uma sessão de "trégua" dos mercados a respeito da crise internacional, a taxa de câmbio doméstica caiu fortemente, porém ainda mantendo o patamar de R$ 1,8. Na semana, a cotação já ficou 6,3% mais alta, enquanto no mês, o aumento é de 15,7%.
Às 16h15 (hora de Brasília), o dólar comercial era negociado por R$ 1,843, um valor 2,74% abaixo da cotação do fechamento de ontem. Ao longo desta sexta-feira, os preços da divisa americana oscilaram entre R$ 1,923 e R$ 1,848.
O recuo dos preços no mercado à vista ocorreu em paralelo ao mercado futuro: o contrato que projeta a taxa cambial para dezembro apontou uma cotação de R$ 1,906 (número preliminar), em queda de 0,46%.
Já o dólar turismo foi vendido por R$ 1,970 (queda de 2,95%) e comprado por R$ 1,780 nas casas de câmbio paulistas.
Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registra leve baixa de 0,03%, pela referência do índice Ibovespa, que marca 53.262 pontos. O giro financeiro é de R$ 4,86 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York tem valorização de 0,25%.
Em contraste com a jornada de ontem, o Banco Central ficou ausente das operações de mercado nesta sexta. Mas o presidente Alexandre Tombini advertiu que a instituição está pronta para intervir novamente caso considere necessário.
'Toda a vez que nós sentirmos a necessidade de entrar no mercado, o BC estará lá para assegurar a tranquilidade no funcionamento do mercado de câmbio no Brasil', disse ele, durante evento em Washington.
Reportagem da Folha publicada hoje aponta que o governo já estuda medidas para conter a repentina desvalorização do real frente ao dólar, possivelmente desmontando algumas das medidas anunciadas desde o ano passado para o conter o movimento contrário: a valorização da moeda brasileira em relação à divisa dos EUA.
O BC também revelou que o fluxo cambial do país (a diferença entre os dólares que entram e saem) está positivo em mais de US$ 10 bilhões neste mês (até o dia 21). Ainda conforme a autoridade monetária, tanto operações comerciais quanto operações financeiras contribuíram para o resultado positivo deste mês.
E no front internacional, principal fonte de apreensão para os agentes financeiros, o G20 (grupo dos países mais desenvolvidos) anunciou que vai agir para que a crise da Europa não prejudique os mercados financeiros e os bancos, indicando que o fundo de resgate financeiro (acertado entre a União Europeia e o FMI no ano passado) deve ser aumentado.
'Nos comprometemos a tomar todas as ações necessárias para preservar a estabilidade dos sistemas bancários e dos mercados financeiros, conforme necessário', disse o bloco, por meio de um comunicado oficial.