A corrupção pode ser um entrave maior do que uma crise econômica quando o assunto é combater a pobreza no mundo. A avaliação é de Selim Jahan, diretor do Grupo de Redução da Pobreza do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), sediado em Nova York.

O diretor avalia que a crise econômica vivida pelos Estados Unidos e pela Europa afeta o trabalho de diminuição do número de pobres no mundo porque diversas nações dependem da ajuda externa, principalmente na África. Ele alerta que a corrupção também tem impacto negativo, porque o dinheiro a ser usado é perdido.

"Quando você tem corrupção, você tem dinheiro, mas o perde", disse Jahan durante sua passagem pelo país Brasil para participar de reuniões no IPC0IG (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), parceria do Pnud com o governo brasileiro.

"O uso ineficiente dos recursos e pouco dinheiro têm o mesmo efeito", acrescentou o economista. Segundo ele, nações como Mali e Serra Leoa já estão em busca de outros países desenvolvidos que possam ajudá-los.

Jahan disse que há conhecimento de que a corrupção está instalada dentro do Poder Público de países pobres e emergentes. As Nações Unidas têm estimulado essas nações a usar mecanismos para dar transparência aos gastos governamentais. Ele citou uma experiência na Índia em que gestores locais colocam em um mural público quanto dinheiro há disponível e o montante gasto.

Segundo o diretor do Pnud, diminuir a burocracia também contribui para evitar a corrupção. "Em algumas sociedades, a corrupção é institucionalizada. Isso ocorre por muitas razões. Uma delas é que, às vezes, existem muitas regras", disse. "Se você é o responsável por essas regras, você sempre pode usá-las para conseguir dinheiro dos outros. Se você simplifica essas regras e dá transparência aos gastos, você pode reduzir a corrupção".