As forças armadas do Conselho Nacional de Transição (CNT) em Misrata afirmaram nesta quinta-feira que seus combatentes haviam entrado em Sirte, bastião dos partidários de Muamar Kadhafi.

"Os revolucionários de Misrata chegaram à ponte Al-Gharbiyat, em Sirte", indicou em um comunicado o Conselho Militar de Misrata, maior cidade do novo regime situada a noroeste de Sirte.

Sirte, 360 km a leste de Trípoli e cidade natal de Kadhafi, é um dos últimos redutos que passaram ao controle das novas autoridades líbias.

Um porta-voz do comboio de forças leais ao CNT, que partiu para Misrata no dia anterior, confirmou a entrada das tropas em Sirte. "Ainda há resistência, mas nossos combatentes serão capazes de superar", afirmou, por outro lado, uma fonte em Wadi Bey, cidade próxima a Sirte.

Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.