O presidente dos EUA, Barack Obama, endureceu na quarta-feira o tom da sua retórica em defesa de um plano de US$ 447 bilhões para promover a geração de empregos, embora as pesquisas mostrem que a população está cética com o pacote.
Num evento com jeito de comício na Universidade Estadual da Carolina do Norte, em Raleigh, Obama fez um alerta à oposição republicana para que não deixe a política eleitoral adiar a aprovação de medidas destinadas a conter o desemprego. "Vocês precisam de líderes que coloquem o país à frente dos partidos", disse Obama, sob aplausos. "O tempo do impasse e dos jogos acabou. Agora é a hora de ação."
Faltando pouco mais de um ano para a eleição presidencial e parlamentar de novembro de 2012, Obama e os republicanos travam sua terceira batalha orçamentária do ano -- depois da quase paralisação do governo em abril e do acordo de última hora em agosto que evitou uma possível moratória.
Na disputa em torno do pacote de geração de empregos, os mesmos temas se repetem: Obama quer financiar o projeto aumentando a tributação sobre as empresas e sobre os americanos mais ricos; os republicanos defendem o corte de gastos públicos.
Para pressionar os republicanos, Obama saiu em viagem pelo país, acusando a oposição de "politicagem". Mas está claro que a reeleição dele no ano que vem irá depender muito da sua capacidade de promover a retomada do crescimento econômico.
A Carolina do Norte é um Estado eleitoralmente importante, e a passagem do presidente por lá é uma tentativa de angariar apoio popular ao projeto, que prevê um misto de cortes de impostos e novos gastos públicos. Mas será uma tarefa árdua.
Entenda
No auge da crise de crédito, que se agravou em 2008, a saúde financeira dos bancos no mundo inteiro foi colocada à prova. Os problemas em operações de financiamento imobiliário nos Estados Unidos geraram bilhões em perdas e o sistema bancário não encontrou mais onde emprestar dinheiro. Para diminuir os efeitos da recessão, os países aumentaram os gastos públicos, ampliando as dívidas além dos tetos nacionais. Mas o estímulo não foi suficiente para elevar os Produtos Internos Brutos (PIB) a ponto de garantir o pagamento das contas.
A primeira a entrar em colapso foi a Grécia, cuja dívida pública alcançou 340,227 bilhões de euros em 2010, o que corresponde a 148,6% do PIB. Com a luz amarela acesa, as economias de outros países da região foram inspecionadas mais rigorosamente. Portugal e Irlanda chamaram atenção por conta da fragilidade econômica. No entanto, o fraco crescimento econômico e o aumento da dívida pública na região já atingem grandes economias, como Itália (120% do PIB) e Espanha.
Um fundo de ajuda foi criado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Central Europeu (BCE), com influência da Alemanha, país da região com maior solidez econômica. Contudo, para ter acesso aos pacotes de resgates, as nações precisam se adaptar a rígidas condições impostas pelo FMI. A Grécia foi a primeira a aceitar e viu manifestações contra os cortes de empregos públicos, programas sociais e aumentos de impostos.
Os Estados Unidos atingiram o limite legal de endividamento público - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) - no último dia 16 de maio. Na ocasião, o Tesouro usou ajustes de contabilidade, assim como receitas fiscais mais altas que o previsto, para seguir operando normalmente. O governo, então, passou por um longo período de negociações para elevar o teto. O acordo veio só perto do final do prazo (2 de agosto) para evitar uma moratória e prevê um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões). Mesmo assim, a agência Standard & Poor's retirou a nota máxima (AAA) da dívida americana.