Nicolas Sarkozy "tem o direito de ser o primeiro presidente do mundo a ser recebido na Líbia, porque, sem o papel da França, Benghazi e seu povo não poderiam ter levado a revolução a todo o país", manifestou nesta quinta-feira Khaled Amre al Turyuman, secretário do Conselho Nacional Transitório (CNT).

Turyuman fez essas declarações em entrevista coletiva pouco antes da chegada a Trípoli do presidente francês e do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, em uma visita considerada um êxito diplomático para os dois Governos europeus e um sucesso político-militar para as novas autoridades líbias.

Tanto Sarkozy como Cameron já aterrissaram em Trípoli, ambos acompanhados de seus ministros das Relações Exteriores.

O secretário do CNT disse que está claro que a visita neste momento é a confirmação do apoio da França e do Reino Unido ao povo líbio e à construção de um Estado democrático.

Turyuman comentou que o objetivo da viagem dos dois líderes europeus é prestar socorro para o cumprimento deste objetivo e assegurar a estabilidade da Líbia e da região. No entanto, advertiu que a Líbia não aceita nenhuma intromissão em sua política nacional.

O porta-voz disse esperar que com essa visita seja liberado o dinheiro das contas líbias e se fale da participação da França e do Reino Unido na reconstrução do país.

Enquanto isso, segue desconhecido o paradeiro de Muammar Kadafi, que segundo as autoridades líbias continua no país.

Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.