Muammar Kadafi teria tentado negociar com as autoridades argelinas sua entrada na Argélia a partir da pequena cidade fronteiriça líbia de Ghadames, informou nesta quarta-feira à noite o jornal El Watan em seu site.
O coronel Kadafi e seus filhos desapareceram desde a queda de Trípoli para as mãos do Conselho Nacional de Transição, órgão político dos rebeldes, há uma semana.
Citando fontes próximas à presidência argelina, o jornal francófono escreveu que Muammar Kadafi tinha "tentado contatar por telefone o presidente Abdelaziz Buteflika, que teria se recusado a se comunicar com ele. "Não é a primeira vez que Kadafi e emissários tentam contatar o presidente argelino", segundo as mesmas fontes.
A Argélia anunciou ter autorizado a entrada em seu território de três filhos de Kadafi, Mohammed, Aníbal e Aisha, que deu à luz um bebê no domingo.
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.