O grupo espanhol Zara, convocado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para explicar nesta quarta-feira as denúncias de contratação em regime de escravidão que pesam sobre um de seus fornecedores no Brasil, não se apresentará na reunião e solicitou uma nova data para seu comparecimento.

O responsável da multinacional no Brasil, Enrique Huerta, não comparecerá nesta quarta-feira para explicar as medidas que segue a companhia para garantir as condições de trabalho de sua rede exterior justificando que a notificação foi recebida na terça-feira, pelo qual pediu uma nova reunião para comparecer perante os legisladores, segundo um comunicado.

A companhia "agradece a oportunidade do encontro para explicar e compartilhar a política e as exigências do código de conduta da empresa, mas lamenta que devido ao curto período de tempo entre a convocação e a data da reunião, Enrique Huerta González se encontra impossibilitado para comparecer perante esta comissão e está à disposição da Alesp para colaborar em uma data próxima", diz a nota.

Huerta será acompanhado também do representante mundial do Grupo Inditex, proprietário da Zara, para o âmbito de Responsabilidade Social Corporativa, Félix Ribeira.

A citação aos representantes de Zara e da empresa provedora de roupas do multinacional espanhola foi pedida na segunda-feira pelo deputado Carlos Bezerra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e foi aprovada pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas.

A companhia foi citada depois que o Ministério do Trabalho do Brasil emitisse até 52 atas de infração das normas trabalhistas contra a empresa espanhola após evidências que AHA, um de seus provedores no Brasil, comprava peças elaboradas com mão de obra empregada em regime análogo ao da escravidão.

Uma inspeção trabalhista detectou em julho que duas confecções de São Paulo que fabricavam roupa para AHA, que fornece 90% de sua produção à Zara, empregavam mão de obra submetida à vigilância intensiva e com jornadas trabalhistas de mais de 12 horas.

A Superintendência Regional de Trabalho informou então que nesses dois centros se encontravam 13 homens bolivianos, uma peruana e um adolescente de 14 anos, que podia constituir um delito de trabalho infantil.