O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou nesta terça-feira as conquistas econômicas de seu governo em um evento com empresários na cidade boliviana de Santa Cruz, em meio aos protestos de ativistas locais que contestam a construção de uma estrada financiada pelo Brasil. Empresários e autoridades locais e nacionais participaram do evento, organizado pelas principais câmaras empresariais de Santa Cruz e pela entidade patronal boliviana.

Na conferência "A integração regional e desenvolvimento social e econômico dos países latino-americanos", Lula destacou que, durante sua gestão na Presidência da República, 27,9 milhões de pessoas saíram da pobreza e 35,7 milhões ascenderam à classe média. Ele assinalou ainda que as facilidades para o acesso ao crédito aplicadas por seu governo impulsionaram o crescimento interno da economia do Brasil.

Lula reiterou que um dos impedimentos com que se deparou durante sua gestão foi a falta de confiança entre latino-americanos para impulsionar uma integração que permitisse o desenvolvimento conjunto. Também enfatizou que é fundamental gerar sociedades entre empresas bolivianas e brasileiras para empreender projetos. "Não quero empresas brasileiras que venham e comprem empresas bolivianas, mas se associem para gerar mais fontes de emprego".

Enquanto Lula falava, um grupo de ativistas mobilizado nas portas do hotel onde se realizava o evento protestou contra a construção da estrada que será financiada pelo Brasil e que atravessará o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis). "Em nome do desenvolvimento, deve-se destruir a vida?", dizia um dos cartazes exibidos no protesto.

Lula e o líder boliviano, Evo Morales, assinaram em 2009 o documento pelo qual o Brasil se comprometeu a financiar com US$ 332 milhões a estrada de mais de 300 km entre os povoados de Villa Tunari, em Cochabamba, e Santo Ignácio de Moxos, na região amazônica de Beni. O governo Morales considera a rodovia vital para a integração viária do país e ofereceu aos indígenas estudar opções para que a estrada não passe pelo parque, mas os grupos étnicos não confiam nessa oferta.