Um dos filhos de Muammar Kadafi ofereceu se render e integrar o movimento que derrubou seu pai se receber garantias de segurança, disse um comandante rebelde líbio, em comentários televisionados pelo canal Al Jazeera International nesta quarta-feira.

Abdel Hakim Belhadj, chefe das forças anti-Kadafi em Trípoli, disse que Saadi entrou em contato com ele para fazer a oferta de rendição e que ele planeja seguir adiante com isso.

"Hoje eu tive uma conversa por telefone com o filho de Kadafi, Saadi, na qual ele pediu para fazer parte da revolução e quer garantias de que poderá voltar para seu povo e para Trípoli", teria dito Beldhaj em árabe durante entrevista ao canal, com os comentários sendo dublados em inglês.

"Ele nos deu dicas sobre seu paradeiro e estaremos em contato com ele para dar prosseguimento à questão", acrescentou.

Mas a rede norte-americana CNN relatou que Saadi negou que planejava se render, afirmando que as forças anti-Gaddafi não querem negociar.

"Eu preferia me render a um governo real do que a essas pessoas", teria dito Saadi segundo a CNN, em uma mensagem enviada a um dos repórteres do canal.

Saadi, o terceiro filho de Gaddafi, era empresário e ex-jogador de futebol. Inicialmente foi divulgado que ele teria sido capturado logo depois que Trípoli foi tomada pelos rebeldes na semana passada. Mas foi esclarecido mais tarde que ele estava desaparecido, assim como o restante da família de Kadafi.

Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.